VIDAS EM RISCO
Governo Fátima sob pressão por caos na saúde do RN
Deputados denunciam falta de medicamentos e problemas estruturais graves em hospitais do Estado, como o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.
Deputados estaduais de oposição intensificaram nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, as críticas à gestão da saúde do Governo Fátima Bezerra na Assembleia Legislativa. O embate político reflete a grave crise que atinge o setor no Rio Grande do Norte, evidenciada por problemas cruciais como elevadores quebrados no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a falta persistente de medicamentos na Unicat e o alarmante crescimento da fila de cirurgias eletivas, impactando diretamente a dignidade e a vida de milhares de potiguares.
O deputado Gustavo Carvalho (PL) adotou o tom mais veemente, cobrando explicações urgentes sobre a paralisação dos elevadores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Com ambos os equipamentos inoperantes, pacientes, muitos deles em condições delicadas, foram carregados em macas pelas escadas ou transferidos para outras unidades. Esta situação, iniciada na última terça-feira, 5 de maio de 2026, levou à transferência de seis pacientes para outros hospitais da rede estadual, conforme a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap).
Para Gustavo Carvalho, os elevadores parados são um sintoma de um problema muito maior. Ele recordou que a fila de cirurgias pendentes no Rio Grande do Norte saltou de 14 mil, na gestão de Robinson Faria, para chocantes 47 mil sob o comando da governadora Fátima Bezerra (PT). “Eu não posso chegar na Assembleia e não repercutir essas coisas, esses fatos. Eu não posso chegar na Assembleia e não demonstrar a minha insatisfação com o que estou vendo, porque são vidas que estão sendo ceifadas em todo o Rio Grande do Norte”, desabafou o parlamentar, ressaltando que a realidade dos pacientes contradiz a propaganda oficial de melhorias na saúde.
O deputado ainda trouxe à tona o apelo angustiante de uma pessoa da região Agreste, cujo pai, após sofrer um AVC, aguardava há 72 horas por atendimento especializado. O paciente esperava pela avaliação de um neurologista e corria risco iminente de agravamento do quadro. Carvalho enfatizou que quem não possui plano de saúde “está morrendo à míngua” e defendeu que a saúde seja tratada como “prioridade zero” pelo Governo do Estado.
Em defesa da gestão, o deputado Francisco do PT (PT), líder do Governo Fátima Bezerra na Assembleia, comprometeu-se a buscar informações sobre a situação dos elevadores. Ele reconheceu o papel fiscalizador dos parlamentares, especialmente em uma área tão sensível. Ao mesmo tempo, argumentou que o setor de saúde enfrenta desafios estruturais crônicos, como o subfinanciamento, a defasagem da tabela SUS e as responsabilidades compartilhadas entre União, Estado e municípios.
Francisco do PT afirmou que o Governo Fátima Bezerra cumpre rigorosamente os limites constitucionais de aplicação de recursos em saúde e educação, algo que, segundo ele, não era consistentemente feito em administrações anteriores. O líder governista também citou avanços recentes, como a conclusão do Hospital da Mulher de Mossoró e a expansão da cobertura do Samu, que já atinge 83% do território potiguar, com a meta de alcançar 100%.
Sobre os elevadores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Francisco do PT explicou que os equipamentos estão em manutenção, mas são antigos e a reposição de peças representa um desafio. Ele informou que a Sesap abriu um processo para aquisição de quatro novos elevadores e que um reordenamento de pacientes está em andamento para transferir aqueles que dependem obrigatoriamente desses equipamentos para outros hospitais da rede.
A oposição, contudo, manteve a pressão. O deputado Luiz Eduardo (PL) rechaçou a comparação com gestões passadas, afirmando que o foco deve ser na resolução dos problemas atuais do Estado. “O retrovisor pode ser até parâmetro, mas o para-brisa é a direção”, sentenciou. Para ele, a saúde do RN necessita de um planejamento eficaz para lidar simultaneamente com a demanda diária e o enorme passivo de cirurgias acumuladas.
Luiz Eduardo também apontou falhas graves na Unicat, onde cerca de metade das medicações essenciais estão em falta, incluindo remédios vitais para tratamento oncológico, insulinas e medicamentos de uso contínuo, agravando o cenário de sofrimento para pacientes que dependem desses insumos para viver.
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