DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Governo e setor produtivo divergem sobre aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica frente a tarifas dos EUA
Representantes de diversos segmentos industriais defendem o diálogo como alternativa à retaliação tarifária após sanções americanas.
O Governo e representantes de diversos setores industriais divergem sobre a estratégia mais eficaz para reagir às novas taxas impostas pelos Estados Unidos. A medida, que estabelece uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, começou a valer nesta quarta-feira (22).
Enquanto o Poder Executivo avalia a ativação da Lei da Reciprocidade Econômica como mecanismo de resposta, as entidades empresariais têm concentrado esforços em defender a priorização de negociações diplomáticas. O objetivo comum é mitigar os impactos financeiros que já atingem cadeias produtivas importantes, como a de máquinas, calçados e têxteis.
Nesta terça-feira (21), o governo deu início a uma rodada de reuniões com os segmentos mais expostos à taxação. O propósito é identificar demandas específicas e estruturar redes de apoio. O vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que, embora a Lei da Reciprocidade esteja disponível no arcabouço jurídico brasileiro, a cautela prevalece, evitando o termo "retaliação" neste momento.
Já o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, reforçou nesta quarta-feira (22) que não há urgência na aplicação de sanções espelhadas. A percepção do governo é de que o uso do instrumento jurídico depende de procedimentos técnicos complexos, não sendo uma decisão tomada de forma precipitada.
No setor privado, a resistência à retaliação é clara. Entidades como a Abimaq, Abicalçados, Abit e Fenatac argumentam que a reciprocidade tarifária poderia escalar o conflito, prejudicando ainda mais a economia nacional. A alternativa proposta pelos líderes empresariais é o fortalecimento do programa Brasil Soberano e a expansão de linhas de crédito para evitar a descontinuidade operacional das empresas.
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