ECONOMIA DO FUTURO
Governo e Fiern avançam em projeto de R$ 12 bilhões para produção de hidrogênio verde em Areia Branca
Empreendimento é um dos maiores investimentos privados anunciados para o Rio Grande do Norte e busca consolidar o Estado como polo de energia limpa. Licença prévia ambiental já foi obtida.
O Rio Grande do Norte deu mais um passo decisivo para consolidar sua posição como um dos principais polos brasileiros da economia do hidrogênio verde. Representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), da Brazil Green Energy e do Governo do Estado se reuniram na última terça-feira, 16 de junho de 2026, para discutir o andamento do Projeto Morro Pintado. Este empreendimento ambicioso prevê a instalação da primeira fábrica de hidrogênio verde e amônia verde em escala industrial no Estado, com instalação prevista para o município de Areia Branca.
Com um orçamento estimado em R$ 12 bilhões, o projeto se configura como um dos maiores investimentos privados já anunciados para o Rio Grande do Norte. Ele integra um conjunto de iniciativas estratégicas que visam transformar o Nordeste em um centro global de produção de combustíveis de baixo carbono. A localização privilegiada do Estado, aliada à sua vasta capacidade de geração de energia eólica e solar, tem atraído a atenção de investidores nacionais e internacionais.

A reunião contou com a presença do presidente da Fiern, Roberto Serquiz, que enfatizou a importância vital do empreendimento para a economia potiguar. O projeto já alcançou projeção internacional, especialmente após a obtenção da licença prévia ambiental durante a Feira de Hannover, na Alemanha, em abril deste ano. Essa licença é uma etapa crucial para o avanço do cronograma de implantação.
Roberto Serquiz destacou que o hidrogênio verde é uma solução promissora para os desafios estruturais do setor energético na região. "O hidrogênio é uma das alternativas fundamentais para a transição energética mundial e pode resolver um desafio atual da nossa região, onde há excesso de geração de energia sem uma rede de transmissão adequada para distribuir essa produção. Assim, o empreendimento precisa avançar e dar os passos necessários para garantir esse investimento", explicou.
O dirigente também ressaltou a urgência de aproveitar o atual ciclo de oportunidades impulsionado pela corrida global por fontes energéticas de baixa emissão de carbono. Diversos países na Europa, Ásia e América do Norte têm ampliado significativamente seus investimentos em hidrogênio verde, integrando-o às suas estratégias de descarbonização industrial e segurança energética.
"É fundamental que o Estado assegure o apoio necessário para que esses empreendimentos se concretizem", reforçou Serquiz. Ele avalia que a competitividade entre Estados e países na atração desses investimentos depende diretamente da segurança regulatória, da infraestrutura adequada e de um ambiente de negócios favorável.
Um marco recente para o avanço dos projetos foi a aprovação, pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), de uma resolução específica para o hidrogênio verde. Essa medida estabelece diretrizes claras para o licenciamento ambiental de tais empreendimentos, proporcionando maior previsibilidade jurídica aos investidores.
A governadora Fátima Bezerra também enalteceu a relevância do Projeto Morro Pintado para a economia potiguar, sublinhando a força da parceria com o setor produtivo. "Estamos de mãos dadas. O projeto tem avançado e será muito importante para o desenvolvimento sustentável do estado", declarou. O Projeto Morro Pintado se insere em um contexto mais amplo de transformação da matriz energética brasileira.
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