TARIFAÇO COMERCIAL

Governo brasileiro descarta diálogo direto entre Lula e Trump e foca em canais técnicos contra tarifas dos EUA

Foto de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Decisão americana prevê imposto de 25% sobre máquinas, plástico e pescados a partir de 15 de julho. Negociações políticas não surtiram efeito.

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O governo brasileiro optou por não estabelecer um diálogo direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Donald Trump, para tentar reverter a iminente aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A decisão, tomada visando esgotar todas as vias diplomáticas e técnicas disponíveis, considera que as negociações políticas têm se mostrado infrutíferas.

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A medida punitiva, com previsão de entrada em vigor na próxima quarta-feira, 15 de julho de 2026, incidirá sobre itens essenciais para a economia nacional, como máquinas, plástico e pescados. A estratégia governamental é concentrar esforços nos canais técnicos e diplomáticos, uma vez que as tratativas em âmbito político não alcançaram os resultados esperados.

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A análise interna indica que as conversas devem prosseguir em nível ministerial, buscando soluções pragmáticas para o impasse comercial.

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Falta de objetividade de ambos os lados travou o acordo
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, apontou que ambos os governos contribuíram para a atual estagnação das negociações. Rittner avalia que as partes poderiam ter demonstrado um engajamento maior nas tratativas. Relatos de participantes das negociações sugerem que houve uma ausência de objetividade de ambos os lados, dificultando o avanço para um consenso.

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Ilustrando a recorrente prática de adiamentos, Rittner mencionou a postura de um ex-ministro que, diante de demandas consideradas inviáveis, respondia com perguntas protelatórias para ganhar tempo. Essa tática de postergação é comparada às negociações entre Brasil e EUA, onde prazos de 30 dias foram sucessivamente renovados desde um encontro no ano anterior, sem a concretização de um acordo. Conforme observado, esses períodos de negociação se estenderam, sem um desfecho efetivo.

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Propostas brasileiras e americanas carecem de consistência técnica
Daniel Rittner detalhou que o lado brasileiro aponta que os Estados Unidos apresentaram uma proposta sobre minerais críticos sem a devida fundamentação técnica e sem respaldo jurídico. Adicionalmente, o analista destacou que o Brasil enfrenta dificuldades em apresentar propostas consistentes, como reduções tarifárias para etanol, máquinas e equipamentos. Isso se deve à necessidade de o Brasil aderir à Tarifa Externa Comum do Mercosul e às normas da Organização Mundial do Comércio, o que implicaria estender quaisquer reduções a todos os países signatários.

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Diante desse cenário complexo, Rittner concluiu que, apesar da importância de manter as aparências e um esforço negociador, a vontade genuína de alcançar um acordo parece estar ausente de ambas as partes.

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Tarifas como ferramenta de poder político
Ao ser questionado sobre o significado mais profundo do impasse, Rittner ressaltou que os Estados Unidos passaram a utilizar as tarifas não apenas como um mecanismo de eficiência comercial, mas também como um "instrumento de poder". Essa mudança de perspectiva permite a interpretação das ações americanas sob um viés político, que pode abranger desde interesses de corporações como as Big Techs até outras influências. Essa possibilidade de interpretação, segundo Rittner, é reforçada ao observar a postura tanto dos EUA quanto, em contrapartida, a do Brasil.

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