PL MUDA APOIO
Governistas criticam mudança de apoio do PL na votação da PEC 6x1
Bancada libera destaque para redução imediata da carga horária, gerando críticas de aliados do governo que acusam partido de "enganar" o eleitor.
Deputados governistas criticaram nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a reviravolta do Partido Liberal (PL) na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala de trabalho 6x1. Às vésperas da votação final, a bancada do PL anunciou apoio ao relatório de Leo Prates (Republicanos-BA) e apresentou um destaque em Plenário para que a nova escala seja de 4 dias de trabalho e 3 de descanso, com aplicação imediata.
Na comissão especial, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), propôs a redução imediata da jornada, sem o período de transição de 60 dias inicialmente previsto. Outros destaques semelhantes foram apresentados e retirados, mas o de Sóstenes foi mantido e votado. A mudança de postura causou reações entre os governistas.
Deputados como Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) e Rogério Correia (PT-MG) criticaram a alteração, utilizando o ditado popular "malandro é malandro e mané é mané". Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o PL de tentar impedir a votação e depois mudar de posição, questionando a intenção do partido em "enganar quem". A deputada Erika Hilton (Psol-SP) classificou os integrantes do PL como "cristãos de última hora", alegando que o partido era favorável a adiar a transição por dez anos.
Em resposta, Sóstenes Cavalcante afirmou que o PL não emitiu juízo de valor sobre a redução da jornada e que sua posição como líder foi tomada após ouvir a maioria da bancada. Ele declarou que "quem votar contra o destaque é contra o trabalhador", defendendo a aplicação imediata da redução. O líder do PL também atribuiu a autoria de emenda que propunha uma transição de dez anos e aumento da jornada para 52 horas ao deputado Sérgio Turra (PP-RS), pedindo que não "minta ao povo brasileiro" e reafirmando o compromisso do partido com os trabalhadores. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da proposta original, respondeu que mencionava a redução para 36 horas, o que justificaria uma transição mais demorada.
O destaque apresentado pelo líder do PL foi rejeitado na comissão especial. O texto integral de Leo Prates, aprovado na comissão por 34 votos favoráveis e 4 contrários, será votado em Plenário na Câmara dos Deputados.
Apesar da posição adotada em Plenário, o PL historicamente criticou a redução da jornada de trabalho. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia se manifestado contra a PEC, defendendo a remuneração por hora trabalhada e argumentando que a legislação trabalhista necessita de modernização. Ele destacou que o modelo proposto asseguraria flexibilidade sem revogar garantias constitucionais, como o FGTS, férias e 13º salário. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) classificou a redução de jornada como "populismo barato" e sugeriu que trabalhadores insatisfeitos "abrissem o próprio negócio". É importante notar que, embora a autoria de uma emenda específica sobre transição de dez anos e aumento da jornada não tenha sido do PL, 62 deputados do partido assinaram essa proposta inicialmente.

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