ESCÂNDALO MEXICANO

Governador de Sinaloa e prefeito de Culiacán se afastam por acusações dos EUA

Governador de Sinaloa e prefeito de Culiacán se afastam por acusações dos EUA

Rubén Rocha Moya, acusado pelos EUA de ligação com cartéis, deixa provisoriamente o posto de governador; prefeito de Culiacán também se afasta.

O governador do estado de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e o prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez, anunciaram seu afastamento provisório dos cargos, uma decisão que veio à tona neste sábado, 02 de maio de 2026. A medida permite que ambos sejam investigados pelas graves acusações de associação com o narcotráfico, imputadas pelos Estados Unidos, e remove o foro privilegiado que detinham. Este passo, que testa a soberania mexicana e a integridade de suas instituições, surge em meio a uma complexa trama diplomática e política, expondo a pressão sobre a governabilidade e a confiança cidadã.

Rocha Moya é apontado pelos EUA, juntamente com outros nove políticos governistas, como parte de um esquema para distribuir grandes quantidades de drogas em território americano, em troca de apoio e propinas. As autoridades americanas, através da promotoria do Distrito Sul de Nova York, pedem a detenção e extradição desses indivíduos. No entanto, o governador de Sinaloa, próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, refuta veementemente as alegações, classificando-as como falsas e mal-intencionadas.

"Posso olhar nos olhos do meu povo e da minha família porque não os traí e nunca os trairei, e demonstrarei isso com firmeza no momento em que as instituições de justiça do nosso país exigirem," declarou Rocha Moya em comunicado, reforçando sua inocência.

O afastamento voluntário de Rocha Moya e de Juan de Dios Gámez de suas funções públicas é um movimento estratégico. Ao deixar seus respectivos cargos, eles perdem o foro privilegiado, eliminando a necessidade de um processo legislativo para a perda de imunidade. Isso abre caminho para que as investigações prossigam de forma mais direta, um desdobramento crucial para a transparência e a aplicação da justiça no México.

A situação ganhou contornos ainda mais complexos após a presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestar que seu governo não tolerará intervenções de nações estrangeiras. Paralelamente, a Procuradoria-Geral do país, encarregada de analisar os pedidos de detenção, afirmou que, até o momento, não há provas suficientes contra os acusados e solicitou elementos adicionais de investigação a Washington, sublinhando a necessidade de fundamentação robusta.

Raúl Jiménez, porta-voz da área de assuntos internacionais da Procuradoria-Geral, explicou durante coletiva de imprensa na sexta-feira, 01 de maio de 2026, a posição do órgão: "Não há nenhuma referência, não há nenhum motivo, não há nenhum fundamento, não há nenhuma evidência que nos permita apreciar o porquê da urgência da prisão provisória."

Além de testar a diplomacia entre EUA e México, a denúncia contra Rocha Moya e os demais políticos governistas pressiona diretamente o governo de Sheinbaum e seu partido, o Morena (Movimento de Regeneração Nacional). Este é um marco inédito, sendo a primeira vez que um governador, um prefeito e um senador em exercício são acusados judicialmente de ter vínculos com o tráfico de drogas, elevando a gravidade do cenário político.

Na quinta-feira, 30 de abril de 2026, a presidente Claudia Sheinbaum já havia rejeitado categoricamente as acusações, exigindo que os EUA apresentassem "provas irrefutáveis". No dia seguinte, sem se referir diretamente a Washington ou ao caso específico, ela reiterou a postura de defesa da soberania nacional, afirmando que não permitiria que governos estrangeiros violassem a integridade do país.

"Nenhum governo estrangeiro pode entrar no nosso território porque aqui há mexicanas e mexicanos que defendem a pátria. Por isso, qualquer governo estrangeiro se depara com princípios," disse a líder mexicana durante um evento público no estado de Chiapas, reforçando a determinação de sua administração.

Este caso complexo, envolvendo Rocha Moya e outros políticos governistas, ganha destaque em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica suas exigências por resultados concretos do México na luta contra o narcotráfico, adicionando mais uma camada de tensão às relações bilaterais.

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