CRIME ORGANIZADO EXPÕE

Globoplay revela série sobre o avanço das facções no Brasil

Capa da Série 'Territórios – Sob o Domínio do Crime', que investiga o avanço das facções criminosas no Brasil.
Imagem promocional da série 'Territórios – Sob o Domínio do Crime' do Globoplay.

Produção inédita com 6 episódios detalha influência na política e economia nacional.

A Globoplay lançou, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a série documental "Territórios – Sob o Domínio do Crime", uma produção que mergulha no avanço implacável das facções criminosas no Brasil. A obra coloca em destaque o modo como esses grupos redefinem o controle de regiões, moldam economias e até influenciam decisões políticas, revelando o impacto direto e avassalador na dignidade da população e na soberania do Estado.

A produção, que marca o centésimo documentário original do Globoplay, traça um retrato do momento em que o crime organizado transcende o fenômeno do tráfico de drogas para se estabelecer como uma estrutura de poder territorial consolidada.

Ao longo de seis episódios, a série sustenta uma tese que há anos mobiliza especialistas em segurança pública: o controle de territórios se tornou a principal fonte de força das facções, com efeitos reais na vida cotidiana de milhares de pessoas e na capacidade de atuação do próprio Estado. Alguns dos casos abordados foram acompanhados ao longo do último ano em nossa coluna.

Um mapa invisível do crime

Com mais de um ano de apuração intensiva, a equipe da produção percorreu 27 cidades em sete estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, e se estendeu por três países da América Latina. O trabalho resultou em mais de 110 entrevistas com autoridades, investigadores, especialistas, vítimas e moradores de áreas diretamente afetadas.

O resultado é o que os produtores definem como um “mapa invisível”, uma complexa rede de influência construída ao longo de décadas por organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que hoje operam de forma integrada tanto no cenário nacional quanto internacional.

Um dos pontos cruciais tratados na série é o funcionamento interno dessas organizações. Em uma das entrevistas exclusivas, o traficante Fernandinho Beira-Mar, atualmente preso no sistema penitenciário federal, detalha a intrincada lógica de operação das facções.

Guerra nas ruas

A série também apresenta imagens inéditas de uma das operações policiais mais significativas dos últimos anos, ocorrida nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025.

Com acesso a câmeras corporais de policiais, o documentário expõe a intensidade dos confrontos, a escalada do avanço armado das facções e os riscos extremos enfrentados pelas forças de segurança. Ao mesmo tempo, a narrativa abre espaço para o outro lado da história, dando voz aos moradores e às famílias profundamente afetadas pela violência incessante.

Muito além do tráfico

Outro eixo importante da produção é a diversificação das atividades criminosas. A série demonstra que, hoje, o tráfico de drogas já não constitui a única, e muitas vezes nem a principal, fonte de renda para as facções.

O controle de territórios permite que esses grupos explorem ilegalmente serviços, comércio, a economia informal e até mesmo se infiltrem em atividades legais, ampliando significativamente o alcance e o poder destas organizações.

Além disso, a produção aborda temas cruciais como a corrida armamentista e o uso generalizado de fuzis, a expansão internacional das facções, sua atuação em áreas sensíveis como terras indígenas, e a perigosa interconexão entre crime organizado e corrupção política.

Crime e poder

No episódio final, a série aprofunda a relação simbiótica entre facções e política. A investigação sugere que a corrupção se transformou em uma ferramenta estratégica essencial para a manutenção do poder e da influência desses grupos criminosos.

Especialistas ouvidos ao longo da produção, como o ex-ministro Ricardo Lewandowski, o promotor Lincoln Gakiya e o ex-secretário de segurança José Mariano Beltrame, reforçam que o enfrentamento eficaz ao crime organizado demanda mais do que ações pontuais, exigindo uma abordagem sistêmica e contínua.

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