ALIMENTAÇÃO E SAÚDE

Frutas exigem cautela em algumas condições de saúde, alertam especialistas

Mulher sorrindo com uma fatia de melancia perto do rosto.
Mulher segurando melancia em frente a uma mesa com frutas.

Embora benéficas, o consumo excessivo de frutas pode gerar complicações para diabéticos, pessoas com gordura no fígado ou problemas renais, conforme endocrinologista Fernanda Parra e nutricionista Cynara Oliveira.

O consumo de frutas, reconhecidas por sua riqueza em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, é fundamental para uma dieta equilibrada. No entanto, o caráter natural desses alimentos não garante que possam ser ingeridos sem moderação, pois contêm frutose e carboidratos que afetam o organismo de maneira distinta, dependendo da quantidade e das condições de saúde individuais.

A endocrinologista Fernanda Parra destaca um equívoco comum: a crença de que todas as frutas são liberadas em qualquer circunstância. "Existe a ideia de que, por ser natural, a fruta pode ser consumida à vontade. Mas, na prática, ela tem impacto metabólico e precisa ser ajustada conforme cada condição de saúde", explica. Segundo a médica, a atenção principal recai sobre a quantidade e a forma como a fruta se integra à alimentação diária.

Diabetes e resistência à insulina: atenção às porções

Indivíduos com diabetes ou resistência à insulina não precisam banir as frutas de suas dietas, mas devem gerenciar as porções com cuidado, especialmente com opções como uva, manga, caqui, banana madura e frutas secas, que podem elevar a glicemia rapidamente. "Não se trata de proibição, mas de estratégia. A mesma fruta pode ser adequada ou não dependendo da porção e do contexto da refeição", ressalta Fernanda Parra.

A nutricionista Cynara Oliveira, vinculada ao Hospital Santa Lúcia em Brasília, sugere combinar frutas com alimentos ricos em fibras, como aveia e chia, ou proteínas, como queijo, iogurte e castanhas. "Para quem tem diabetes, recomendo comer esses tipos de frutas com alguma fonte de fibra, como aveia e chia, ou de proteína, como queijo, iogurte e castanhas. Assim, a absorção do açúcar torna-se mais lenta", orienta.

Esteatose hepática: o equilíbrio contra o acúmulo de gordura

Na esteatose hepática, ou gordura no fígado, o excesso de frutose pode intensificar o acúmulo de gordura no órgão, principalmente com o consumo frequente de sucos ou grandes volumes de frutas. "A forma líquida da fruta e o consumo frequente ao longo do dia podem aumentar a carga de açúcar e impactar o metabolismo hepático", alerta a endocrinologista.

Doenças renais: o desafio do potássio

Pacientes com doenças renais podem necessitar adaptar seu consumo de frutas devido à dificuldade dos rins em excretar o potássio. Este mineral é abundante em alimentos como banana, abacate, melão, kiwi e água de coco. "Nesses casos, a restrição não é sobre saúde geral, mas sobre equilíbrio de eletrólitos no organismo", pontua Fernanda Parra.

Refluxo e gastrite: a sensibilidade à acidez

Frutas mais ácidas, como limão, laranja, abacaxi e maracujá, podem agravar os sintomas em pessoas com refluxo ou gastrite, embora a reação varie individualmente. "O impacto varia muito de pessoa para pessoa, mas alguns pacientes relatam piora importante dos sintomas com frutas mais ácidas", observa Cynara Oliveira.

Sucos naturais e frutas secas, frequentemente percebidos como opções inteiramente saudáveis, também demandam moderação. Em sucos, diversas frutas são processadas juntas, perdendo parte de suas fibras. Frutas secas, por sua vez, concentram açúcar e calorias em pequenas porções. "Um copo de suco pode ter o açúcar de várias frutas, sem a fibra que ajuda a reduzir o pico glicêmico. Já as frutas secas concentram calorias e frutose em pouco volume", explica Fernanda Parra.

O exagero como principal vilão

As especialistas concordam que nenhuma fruta deve ser demonizada para a população em geral. O risco maior reside no consumo excessivo e na falta de individualização da dieta. Mesmo as frutas consideradas benéficas podem se tornar problemáticas quando consumidas sem critério. O acompanhamento nutricional é essencial para prevenir picos glicêmicos, ganho de peso e sobrecarga metabólica.

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