ÉTICA E FÉ

Frei Gilson é denunciado ao MP por declarações preconceituosas: 'Liberdade religiosa não é liberdade para odiar'

Frei Gilson é denunciado ao MP por declarações preconceituosas: 'Liberdade religiosa não é liberdade para odiar'

Brendo Silva acusa religioso de preconceito contra LGBTQIA+ e mulheres. Ação busca posicionamento jurídico sobre limites da pregação, nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acolheu uma denúncia formal contra o Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, figura proeminente da Igreja Católica, nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026. O escritor e jornalista Brendo Silva protocolou a ação, argumentando que as declarações públicas do religioso, veiculadas em homilias, entrevistas e redes sociais, configuram discursos discriminatórios contra pessoas LGBTQIA+ e mulheres, ultrapassando os limites da liberdade de culto. A iniciativa de Silva busca um posicionamento jurídico sobre a linha tênue entre pregação religiosa e o respeito aos direitos civis, suscitando um debate fundamental sobre a dignidade humana e a responsabilidade social em um país com altos índices de violência contra minorias.

Brendo Silva, autor do livro 'A vida secreta dos padres gays', argumenta que as falas do religioso vão além da liberdade de expressão da fé, configurando estigmatização e preconceito. A denúncia, motivada por uma série de declarações públicas de Frei Gilson, aponta para a prática de discursos que, segundo o escritor, contribuem para a desvalorização de grupos minoritários.

O documento da denúncia, acessado pela coluna GENTE, detalha que Frei Gilson emprega terminologias consideradas pejorativas e cientificamente ultrapassadas, como 'homossexualismo', um sufixo que associa a orientação sexual a uma condição de doença. Tal linguagem, de acordo com o denunciante, desrespeita a comunidade LGBTQIA+ e reforça estereótipos prejudiciais.

A denúncia inclui trechos de vídeos nos quais o religioso vincula a orientação sexual a conceitos como 'desordem', 'contrariedade à lei natural' e 'depravação grave', perpetuando visões que ferem a dignidade de indivíduos LGBTQIA+. Essas afirmações, disseminadas para milhões de seguidores, têm o potencial de causar danos emocionais e sociais significativos.

Em um dos trechos citados na ação, o frei declara com veemência: 'Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou. É a Bíblia'. Esta passagem é vista por Silva como um exemplo claro da rigidez e da exclusão presentes no discurso do líder religioso.

Para Brendo Silva, que por mais de uma década vivenciou o ambiente seminarista como coroinha e noviço, essa abordagem é profundamente preocupante e inaceitável, especialmente em um país que enfrenta altos índices de violência e discriminação contra minorias. Ele enfatiza a necessidade de um diálogo que promova a inclusão e o respeito, em vez da segregação.

O escritor ressalta a gravidade das homilias em que Frei Gilson classifica pessoas gays como doentes, associa a homossexualidade a ideias de desvio e ainda reforça visões que relegam a mulher a uma posição secundária. 'Tais discursos não podem ser naturalizados', afirma Silva. 'Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Liberdade religiosa não é liberdade para odiar'.

Silva também aponta o que descreve como uma 'contradição flagrante' dentro da própria estrutura eclesiástica. Ele revela ter convivido com dezenas de seminaristas, padres e bispos gays ao longo de sua trajetória, criticando veementemente o fato de a instituição perpetuar discursos de exclusão e condenação, enquanto muitos de seus próprios membros sacerdotes são homossexuais.

Para o autor, 'é preciso coerência e responsabilidade'. Com esta ação, Brendo Silva busca que o MPSP estabeleça um claro posicionamento jurídico sobre os limites da pregação religiosa quando esta colide com os direitos civis e a dignidade humana. A denúncia espera provocar uma reflexão mais profunda sobre a compatibilidade entre a fé e o respeito à diversidade.

Frei Gilson, agora alvo desta denúncia junto ao MPSP, é amplamente reconhecido como uma das figuras mais influentes da Igreja Católica na atualidade. Sua presença digital é notável, com milhões de seguidores e um vasto alcance, o que amplifica o impacto de suas declarações e a relevância desta discussão para a sociedade.

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