CRESCIMENTO GLOBAL NA MIRA

FMI reduz previsão de crescimento global para 3% em 2026, alerta para riscos da guerra no Oriente Médio

Fachada da sede do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, D.C.

Fundo Monetário Internacional justifica corte na previsão de 2026 por instabilidade geopolítica, fragmentação comercial e impactos da IA. Novas projeções indicam recuperação gradual.

Pessoas em todo o mundo e a dignidade das nações enfrentam incertezas econômicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu, nesta quarta-feira, 08/07/2026, reduzir sua previsão de crescimento econômico global para 2026 a 3,0%. A decisão se baseia em um alerta sobre os riscos contínuos e multifacetados que pairam sobre a economia mundial, incluindo a persistente guerra no Oriente Médio, a crescente fragmentação do comércio global e a volatilidade associada às rápidas expectativas em torno da inteligência artificial (IA). Esta revisão é crucial, pois afeta diretamente o planejamento de governos, empresas e o bem-estar de milhões de indivíduos, moldando o cenário de oportunidades e desafios para o futuro próximo. As projeções indicam que a economia mundial, apesar de ter evitado uma recessão mais severa, como apontado pelo FMI, sentirá os efeitos dessa instabilidade. O impulso gerado pela demanda no setor de tecnologia tem sido um contraponto à queda no fornecimento de energia, diretamente impactada pela guerra. Contudo, a recuperação esperada para 3,4% em 2027 ainda se posiciona abaixo da média observada nos anos de 2024 e 2025, que foi de 3,5%. Isso sinaliza um período de crescimento mais contido, demandando adaptação e resiliência. A inflação também é um ponto de atenção. O FMI elevou sua projeção para 2026 em 0,3 ponto percentual, atingindo 4,7%, mas prevê uma queda para 3,9% no próximo ano. O custo da energia, 25% superior desde o início do conflito em 28 de fevereiro e com expectativa de permanecer elevado, corrobora essa tendência. A expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz em meados de julho, com retorno às condições pré-guerra até março de 2027, é um fator considerado para essas projeções, mas a sua concretização é um ponto sensível. "Até o momento, a economia global como um todo resistiu melhor do que se temia ao choque da guerra", declarou o FMI em uma atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Global. A análise destaca que exportadores de energia e países com forte integração tecnológica se beneficiam mais, enquanto importadores de commodities e aqueles menos adaptados à IA enfrentam revisões de crescimento para baixo. O crescimento do comércio global deve desacelerar para 3,5% em 2026, ante 5% em 2025, antes de se recuperar para 4,3% em 2027. Deniz Igan, chefe da divisão de Estudos Econômicos Mundiais do Departamento de Pesquisa do FMI, reforçou a resiliência da economia global, mesmo diante do fechamento do Estreito de Ormuz. A liberação de reservas estratégicas de petróleo e o aumento da eficiência energética foram cruciais. No entanto, ela alertou para os riscos de um novo conflito: "Um colapso do acordo de paz e a retomada dos combates podem representar grandes riscos, uma vez que os países já esgotaram grande parte das suas reservas e teriam menos margem de manobra." A recente escalada de ataques dos EUA contra o Irã e a revogação de licenças de venda de petróleo são um indicativo da fragilidade da situação. Igan também mencionou que a inflação e as expectativas inflacionárias aumentaram no curto prazo, mas com poucas evidências de impacto a médio prazo. A atualização do relatório do FMI abandonou cenários distintos, voltando a uma previsão de referência mais tradicional. As projeções para os EUA se mantiveram em 2,3% para 2026, com elevação para 2,2% em 2027. A zona do euro terá seu crescimento em 2026 revisto para 0,9% (ante 1,1%), mantendo 1,2% em 2027. Mercados emergentes e economias em desenvolvimento terão projeção de crescimento reduzida para 3,8% em 2026, com elevação para 4,5% em 2027. A China deve crescer 4,6% em 2026 e 4,1% em 2027, enquanto a Índia deve ter 6,4% em 2026 e 6,7% em 2027. A região do Oriente Médio e Ásia Central, mais afetada, viu sua previsão para 2026 cair para 0,7%, com elevação para 6,5% em 2027. É importante notar que a decisão do FMI é uma projeção e está sujeita a recursos e a revisões futuras, conforme a evolução dos eventos globais e a implementação de políticas econômicas.

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