DISPUTA COMERCIAL
Flávio Bolsonaro se opõe a taxação de 25% de produtos brasileiros nos EUA e tenta conter soberania de Lula
Senador argumenta que tarifas americanas podem beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca fortalecer a imagem de defensor da soberania nacional.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, será uma das vozes a se pronunciar em uma audiência pública nos Estados Unidos nesta segunda-feira, 06/07/2026. A ocasião discute uma investigação que pode resultar na imposição de uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros, sob a acusação de práticas “irrazoáveis” por parte do Brasil. A decisão, caso confirmada, terá impacto significativo na economia nacional.
A investigação, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), tem como alvo diversas práticas brasileiras, incluindo regulações sobre Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico, tarifas preferenciais injustas concedidas a México e Índia, combate à corrupção e à falsificação, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal. A possibilidade de taxação surge como uma resposta a essas alegadas infrações.
Flávio Bolsonaro anunciou sua intenção de discursar contra as taxas. No entanto, seu posicionamento visa, primordialmente, evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) capitalizem politicamente a situação, fortalecendo um discurso de soberania nacional. O senador argumenta que as tarifas propostas recompensariam o governo atual por sua estratégia de protelar negociações e provocar retaliações, transformando-as em vitórias políticas internas.
Em sua petição para participar da audiência, Flávio Bolsonaro ressalta a necessidade de um equilíbrio de interesses. Ele sugere que a investigação não seja abandonada, mas adverte que a taxação beneficiaria o adversário político. "Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna", escreveu o senador.
O blogueiro Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro, também se inscreveu para depor. Ele argumenta que a ação proposta puniria as vítimas da conduta investigada, ao mesmo tempo que fortaleceria seus autores. A preocupação central de ambos os pronunciamentos é evitar que Lula explore a situação para reforçar sua imagem como defensor dos interesses nacionais, algo que já ocorreu anteriormente quando o então presidente Donald Trump impôs tarifas ao Brasil em abril de 2025.
A audiência pública, segundo Jean Menezes Aguiar, professor de Direito da FGV, serve para coletar informações que darão maior embasamento e legitimidade à decisão final do USTR. A participação de diversos inscritos, incluindo instituições como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com a presença do diplomata Roberto Azevêdo, demonstra o amplo interesse na discussão. A lista de inscritos conta com 365 participantes, e a audiência tem previsão de duração de um dia, com possibilidade de prorrogação.
A investigação, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, visa punir práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A decisão final sobre a taxação de 25% caberá ao presidente dos Estados Unidos.
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