CONFRONTO POLÍTICO
Flávio Bolsonaro se defende em palanque após áudio vazado
Senador rebate acusações sobre financiamento de US$ 24 milhões para filme e transações com ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, adotou um tom de enfrentamento e perseguição política para comentar, pela primeira vez em um palanque, as conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O senador defendeu o financiamento privado do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), e afirmou que "estava tudo certo, direitinho dentro da lei" em seu discurso nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A postura do filho de Jair Bolsonaro, durante o lançamento da pré-campanha de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, em Campinas, busca solidificar o apoio de sua base e rebater as acusações decorrentes do vazamento de áudios e reportagens sobre as transações financeiras, em um movimento que reafirma sua estratégia de defesa diante da opinião pública.

"Quando a verdade está do nosso lado, quando a gente sabe que fez a coisa certa e quando a gente sabe quem é o inimigo que nós vamos enfrentar, isso nos motiva, nos dá muito mais força", declarou o senador, buscando inspirar seus apoiadores.
Ao abordar diretamente a produção do filme “Dark Horse”, que promete narrar a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), Flávio reforçou a busca por financiamento privado e garantiu que “estava tudo certo, direitinho dentro da lei”. Ele também mencionou que “ninguém no mundo podia imaginar” a situação que Daniel Vorcaro enfrentaria posteriormente. Segundo reportagem do jornal digital Intercept Brasil, o ex-banqueiro teria negociado o envio de US$ 24 milhões – o equivalente a R$ 134 milhões, conforme a cotação da época – para a realização do filme.
A reportagem detalha que Daniel Vorcaro teria efetuado pagamentos de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. Em novembro do mesmo ano, Flávio cobrou o repasse dos recursos restantes, um dia antes de Vorcaro ser detido pela Polícia Federal. Embora o Intercept Brasil afirme possuir documentos que comprovem as transações, os detalhes e a forma como as cifras foram obtidas não foram publicados. Flávio, por sua vez, confirmou a negociação, mas se absteve de fornecer valores específicos.
“Tem filme que é com dinheiro privado. Tem filme que é com dinheiro público. Tem filme que toma dinheiro dos impostos do trabalhador para fazer propaganda política para o presidente da República”, comparou o senador, buscando legitimar o modelo de financiamento do seu projeto. Ele ainda alegou que há uma tentativa de “destruir uma pessoa que se coloca na trincheira para impedir o projeto de poder” de adversários políticos, conectando as acusações a um suposto complô contra sua família e aliados.
Apoio de Aliados
O evento em Campinas, além de Flávio Bolsonaro e Guilherme Derrite, contou com a presença de diversas figuras políticas influentes. Discursaram no palanque o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), o deputado federal e presidente estadual do PP Maurício Neves, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
A presença de Sergio Moro gerou uma reação mista do público. Parte dos presentes manifestou descontentamento, embora sem vaias, criticando a participação do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. Moro havia deixado o governo Bolsonaro em 2020, alegando tentativa de interferência do então presidente na Polícia Federal, um episódio que ainda ressoa entre os apoiadores.
Apoio Mantido entre a Base
A despeito das reportagens envolvendo Daniel Vorcaro, apoiadores de Flávio Bolsonaro presentes no evento em Campinas expressaram que as revelações não alteraram sua percepção sobre a família. Eles defenderam a versão apresentada pelo senador, reiterando confiança em sua conduta.
Tânia, 66 anos, declarou ao Poder360 que prefere aguardar o desenrolar das investigações antes de formar um juízo definitivo sobre o caso. Em sua visão, “até agora não tem verdades e mentiras”, e a abertura de uma CPI seria fundamental para esclarecer quem “está certo” e quem “está errado”. Apoiadora fervorosa, ela comparou o financiamento do filme a patrocínios de bancos estatais em outros setores e manifestou a crença de que “a família Bolsonaro é a única que tem a chance de salvar o Brasil”, evidenciando a profunda lealdade e a visão ideológica de parte do eleitorado.
De forma similar, Alessandra, 73 anos, afirmou que mantém seu apoio irrestrito a Flávio e Jair Bolsonaro, mesmo diante das revelações divulgadas nesta semana. Para ela, “não mudou absolutamente nada” em sua perspectiva sobre a pré-campanha. Alessandra defendeu que a família Bolsonaro “já provou o caráter que tem” e minimizou a aparente mudança de versão de Flávio sobre suas relações com Vorcaro, atribuindo a situação a um tema que ainda demandaria esclarecimentos dos envolvidos na produção do documentário.
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