ANISTIA EM PAUTA

Flávio Bolsonaro promete anistia a condenados do 8/1

Flávio Bolsonaro discursa em evento político em Sorocaba, São Paulo.
Flávio Bolsonaro durante evento em Sorocaba - metrópoles

Senador afirma que eles 'subirão a rampa do Planalto' em 2027, caso seja eleito, em discurso durante evento em Sorocaba.

Em um ato político de alto impacto, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) prometeu anistia aos condenados pelos atentados de 8 de janeiro de 2023, incluindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A afirmação, feita neste sábado, 16 de maio de 2026, sugere que essas figuras "subirão a rampa do Palácio do Planalto" com ele em 2027, caso seja eleito, visando honrar aqueles que ele considera vítimas de uma "farsa" judicial. A declaração reacende o debate sobre a responsabilização por atos antidemocráticos e o futuro da Justiça no país.

A controversa declaração de uma possível anistia aos condenados, condicionada à sua eleição, marcou o discurso de Flávio Bolsonaro durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, em Sorocaba, no interior de São Paulo.

Em seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que centenas de brasileiros foram vítimas de uma "farsa" orquestrada por um de seus ministros. Segundo o senador, essa "farsa" teria o objetivo de interferir nas eleições, desequilibrar a disputa, predeterminar alvos, e conduzir condenações "com base em invenções sem fundamento, sem provas".

Ele prometeu honrar "cada uma dessas famílias", afirmando: "Todos vocês, cada uma dessas famílias, a gente vai honrar vocês. Vocês vão junto com o presidente Bolsonaro subir aquela rampa do Palácio do Planalto em 2027 junto com a gente".

A escolha de Flávio para representar Jair Bolsonaro na disputa presidencial deste ano contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorre em um cenário onde o ex-presidente permanece inelegível até 2030 e foi condenado a 27 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado. Flávio superou nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na corrida pela indicação.

Flávio Bolsonaro cumpriu uma agenda intensa no interior paulista na sexta-feira, 15 de maio de 2026, e neste sábado, 16 de maio de 2026, participando de dois eventos para o lançamento da pré-candidatura de Derrite ao Senado. Em Sorocaba, neste sábado, André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e outro pré-candidato do grupo ao Senado, ecoou a defesa pela anistia aos condenados pelos atos golpistas.

André do Prado enfatizou a necessidade de apoio legislativo para a governabilidade de Flávio, caso eleito. "O Flávio não vai governar sozinho. Se ele não tiver maioria na Câmara e no Senado fica difícil ter governabilidade", declarou Prado, que completou: "Temos que votar a anistia, temos que fazer a reformulação do Judiciário e tantas outras pautas importantes. Porque eu e o Derrite temos coragem".

Flávio diz que Lula "aparelha a PF"

Ainda no evento, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao governo Lula, acusando-o de corrupção e de "aparelhar" a Polícia Federal (PF).

As acusações surgem em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio, abalada pela divulgação de diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e por suspeitas relacionadas ao financiamento de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Em Sorocaba, ele disparou várias críticas contra Lula e o PT.

Em seu discurso, o senador atacou: "A gente não vai permitir que esses canalhas continuem governando o nosso país. Um governo corrupto, que persegue adversários políticos. Eles aparelharam até a Polícia Federal, trocaram o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha, que recebia dinheiro do careca do INSS, para tentar manipular as investigações. Tem que devolver o dinheiro roubado dos aposentados do INSS, Lula. Você rouba os idosos desse Brasil".

Flávio referiu-se especificamente à recente alteração na Polícia Federal, onde a investigação sobre fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi transferida. Originalmente conduzida pela Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, sob o comando do delegado Guilherme Figueiredo, a apuração agora está a cargo da Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), setor que lida com políticos com foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF).

Este foi o segundo compromisso de Flávio Bolsonaro no interior de São Paulo para promover a pré-candidatura de Derrite. Na noite de sexta-feira, 15 de maio de 2026, ele esteve em Campinas ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, no entanto, não compareceu ao evento de Sorocaba neste sábado.

À semelhança da agenda em Campinas, o senador utilizou passagens bíblicas para se defender das acusações de proximidade com Daniel Vorcaro e o Banco Master, embora sem citar diretamente o banqueiro ou a instituição financeira.

Citando uma passagem bíblica, ele afirmou: "Amanheci com uma passagem bíblica na minha cabeça. ‘Aquele que na dificuldade é fraco, é porque é realmente fraco’. Eles me subestimaram, mais uma vez, achando que vão me intimidar, achando que vão me calar. Eles esqueceram de uma coisa: aqui tem sangue de Bolsonaro. Eu não vou desistir do meu Brasil".

Flávio se diz "vítima de perseguição"

O pré-candidato reiterou ser alvo de "perseguições" e de uma investida de "tudo ou nada" para "enterrá-lo vivo".

A pauta da segurança pública dominou grande parte do evento. Em um vídeo gravado, o ex-senador Eduardo Bolsonaro (PL) declarou que Derrite será "peça fundamental" para Flávio implementar o controverso "método Bukele" no Brasil.

O "método Bukele" alude à política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, baseada no encarceramento em massa para erradicar o crime. Derrite, por sua vez, também defendeu esse modelo durante o encontro.

Flávio Bolsonaro e Guilherme Derrite convergiram na defesa da classificação de grupos criminosos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, uma medida apoiada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e rechaçada pelo governo Lula.

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