COMISSÃO DE SEGURANÇA

Flávio Bolsonaro presidiu apenas uma sessão da Comissão de Segurança Pública em pré-campanha

Senador Flávio Bolsonaro em foto oficial
Senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro

Desde que anunciou sua pré-candidatura à Presidência em dezembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro esteve presente em duas reuniões da CSP, mas presidiu apenas uma. Aliados têm substituído o parlamentar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) presidiu uma única sessão da Comissão de Segurança Pública (CSP) desde que foi anunciado como pré-candidato à Presidência, em dezembro de 2025. Essa informação, divulgada nesta terça-feira, 30/06/2026, por um levantamento do Metrópoles com dados do Senado Federal, expõe a pouca participação ativa do parlamentar na condução dos trabalhos legislativos em um período crucial de sua pré-campanha. No dia 5 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro anunciou ter sido escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como candidato do campo bolsonarista ao Planalto. Desde então, das 14 sessões da CSP agendadas, apenas 9 foram efetivamente realizadas. Cinco foram canceladas, adiadas ou não ocorreram. Das reuniões realizadas, o senador registrou presença em duas, mas presidiu os trabalhos de apenas uma, ocorrida em 28 de abril. Em outra sessão, de 16 de dezembro, realizada em formato semipresencial, Flávio Bolsonaro registrou presença, mas não presidiu nem discursou, conforme as notas taquigráficas do Senado. Flávio Bolsonaro foi eleito para presidir a CSP por acordo partidário durante as eleições da Mesa Diretora de 2025, em fevereiro do ano passado. A escolha do senador animou a base bolsonarista, pois o presidente da comissão define a pauta e pode colocar em votação temas prioritários para a direita. Durante a única sessão presidida pelo pré-candidato à Presidência, a CSP aprovou projetos fora da agenda “linha-dura” ligada ao bolsonarismo para a Segurança Pública. Entre eles, estão a proibição à limitação de vagas para mulheres em concursos na área da segurança pública e a lei geral para agentes de trânsito. Em nota enviada ao Metrópoles, Flávio Bolsonaro afirmou que tem atuado na CSP “de maneira adequada e de acordo com as regras do regimento interno”. O pré-candidato também elencou uma série de projetos que terão andamento na comissão: * PL 321/2023: possibilidade de realizar audiências de custódia por videoconferência. Relatado por Flávio Bolsonaro. * PL 2214/2023: inclusão da cooptação de menores de idade para envolvimento em crimes como agravante. Relatada por Flávio Bolsonaro. * PL 5002/2024: imposição de prestação de serviços comunitários e/ou pecuniários para quem cumpre regime aberto. Relatada por Flávio Bolsonaro. * PL 2380/2025: destinação de 1% do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) às guardas municipais. Relatado por Flávio Bolsonaro. * PL 2413/2025: destinação de ao menos 25% do FNSP aos fundos municipais de Segurança Pública. Relatado por Flávio Bolsonaro. * PL 3033/2025: agravamento de penas por roubo de câmaras de vigilância. Relatada por Flávio Bolsonaro. * PL 3341/2025: Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual e demais Crimes no transporte público. Relatada por Flávio Bolsonaro. “Na comissão, o senador Flávio Bolsonaro mantém intensa atuação parlamentar em propostas voltadas ao fortalecimento da segurança pública, combate às organizações criminosas, proteção dos agentes de segurança e aperfeiçoamento da legislação penal”, diz a nota. Aliados assumiram a presidência de parte das sessões da comissão. Senadores como Sergio Moro (PL-PR), primeiro-vice-presidente da CSP, têm substituído Flávio Bolsonaro. Moro defendeu a atuação do colega, justificando a ausência pela agenda de pré-candidato à Presidência, mas ressaltou que o senador participa da construção da pauta. “O senador Flávio tem agenda de pré-candidato à presidência, então eventual ausência é compreensível e eu o tenho substituído. No entanto, conversamos sobre os projetos, as pautas, e nossa linha conjunta é sempre a de endurecer a legislação contra os criminosos a fim de proteger o cidadão”, disse Moro. Flávio Bolsonaro tem priorizado agendas externas em 2026, incluindo viagens internacionais. Uma das sessões da CSP em que o senador faltou ocorreu no dia do encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 26 de maio. Nesta semana, o pré-candidato viajou para a Argentina, onde se encontrou com o presidente Javier Milei, indicando uma provável nova falta na CSP. Foi no encontro com Trump que Flávio Bolsonaro alinhou um passo importante na pré-campanha relacionado à Segurança Pública. Pouco depois da reunião em Washington D.C., o governo dos EUA classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A campanha do pré-candidato aproveitou a repercussão para lançar o plano de governo para a Segurança Pública, que inclui propostas históricas para o bolsonarismo, como a redução da maioridade penal para 16 anos, construção de novos presídios e castração química para condenados por crimes sexuais. Hamilton Mourão (Republicanos-PR), outro nome recorrente a presidir a comissão, atribuiu o “ritmo mais lento” dos trabalhos ao ano eleitoral, mas afirmou que a CSP tem mantido suas atividades. “A Comissão tem mantido seus trabalhos, mas como tudo no Senado ao longo deste ano em um ritmo mais lento. O Moro tem presidido e eu também já conduzi os trabalhos”, disse.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário