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Flávio Bolsonaro pede para se manifestar em audiência nos EUA sobre tarifas ao Brasil

Flávio Bolsonaro em evento da CNI.
Senador Flávio Bolsonaro em evento da CNI, em Brasília, em 22 de junho de 2026.

Em solicitação enviada aos EUA, Flávio Bolsonaro pedirá a suspensão de tarifas sobre produtos brasileiros e buscará uma resolução negociada para as questões comerciais. Audiência está marcada para 6 de julho.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, solicitou a oportunidade de se manifestar em uma audiência pública nos Estados Unidos. A audiência antecede a decisão final sobre a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O pedido foi formalizado para a inscrição na sessão.

Em seu depoimento, Flávio Bolsonaro pretende requerer a suspensão das tarifas e propor uma "resolução construtiva e negociada das questões identificadas na investigação". Ele argumentará que a tarifa, na prática, beneficiaria o governo atual, enquanto prejudicaria exportadores brasileiros, importadores norte-americanos, consumidores dos EUA e a oposição brasileira.

A solicitação prevê 5 minutos para o depoimento do senador. Segundo o documento, Flávio Bolsonaro mencionou recentes reuniões com o presidente dos EUA, Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, para discutir o assunto.

A audiência pública está agendada para 6 de julho. O prazo final para a definição e aplicação de medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026, com a decisão final cabendo a Donald Trump.

ENTENDA

A proposta da nova tarifa surgiu em 1º de junho, após a conclusão de uma investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre práticas comerciais consideradas injustas pelo governo norte-americano. A investigação abrange temas como o Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que políticas públicas brasileiras favorecem o Pix, criando uma "desvantagem injusta" para empresas norte-americanas de pagamento eletrônico.

Certos produtos, no entanto, foram isentos da tarifa, incluindo carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, plantas industriais e medicinais, palhas, forragens, aeronaves e peças, terras-raras, produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes.

Essa medida faz parte da estratégia de Donald Trump para reformular sua política tarifária. A Seção 301 da legislação americana exige consultas, audiências e apuração individualizada antes da implementação de tarifas sobre importações.

HISTÓRICO

A proposta de tarifa foi apresentada após uma aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que se reuniram em Washington em 7 de maio para tratar de tarifas, crime organizado e minerais críticos. Na ocasião, o governo brasileiro recebeu um prazo de 30 dias para negociações comerciais. A medida também ocorre após tensões em 2025, quando Trump impôs tarifas sobre importações brasileiras para pressionar o Brasil em relação a um processo judicial contra Jair Bolsonaro.

Os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil há uma década.

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