DECISÃO AMERICANA
Flávio Bolsonaro falará em audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil
Senador e pré-candidato à Presidência participará de debate público nos Estados Unidos, com potencial impacto na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), terá sua fala marcada para a próxima terça-feira (7) na audiência pública que investiga práticas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil. O resultado desta audiência poderá influenciar a decisão do governo americano sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Flávio está previsto para discursar a partir das 10h (11h no horário de Brasília) no segundo e último dia da audiência, que ocorre em Washington. A expectativa é de que ele viaje aos Estados Unidos no final de semana. Antes disso, nesta sexta-feira, 03/07/2026, o senador cumprirá agendas no Rio de Janeiro e em Campina Grande.
A participação de Flávio visa demonstrar sua oposição ao eventual tarifaço americano sobre produtos brasileiros e refutar acusações de que ele teria articulado a favor da medida, conforme alega a gestão do presidente Lula (PT). Em carta enviada aos Estados Unidos, Flávio argumentou que a manutenção da taxação representaria uma "vitória política" para Lula.
Ele dividirá painel com nomes como Roberto Azevêdo, ex-diretor da OMC e representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); Matt Priest, da Associação Americana de Distribuidores e Varejistas de Calçados (FDRA); e Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear.
No dia anterior, Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, participará da audiência. Figueiredo tem defendido a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal em vez do tarifaço. O Planalto considera que essas posturas reforçam a percepção de uma articulação entre os irmãos Bolsonaro e Figueiredo junto ao governo Trump.
A audiência, conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, analisa práticas que podem prejudicar os interesses comerciais dos EUA e servirá de base para a definição de medidas contra o Brasil. A maior parte do evento será destinada a representantes do setor privado brasileiro e americano, que apresentarão avaliações sobre acesso a mercados, barreiras comerciais e propriedade intelectual, entre outros temas.
O governo brasileiro intensifica os esforços para evitar o tarifaço. Na quinta-feira, 02/07/2026, o ministro Márcio Elias teve a quarta reunião de alto nível com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer. As equipes técnicas se reunirão novamente no início da próxima semana, com outra reunião entre autoridades prevista para antes de 15 de julho, data em que uma decisão sobre as supostas práticas desleais por parte do Brasil pode ser tomada, incluindo a ameaça de tarifas de 25% sobre produtos nacionais.
Para reverter o cenário, o Brasil propôs um "mapa do caminho" com medidas para atender às queixas americanas, como a redução de tarifas de importação em setores específicos. Contudo, as empresas dos Estados Unidos seriam as principais beneficiadas, e o PIX permanece fora das negociações.
Nos bastidores, a negociação é vista como complexa devido à ausência de déficit americano na relação bilateral e a dados considerados defasados pelos EUA. Paralelamente à via diplomática, a disputa de narrativas políticas se intensifica, com o presidente Lula classificando a família Bolsonaro como "traidora da pátria" e "entreguista". A decisão final sobre as tarifas pode depender mais do cenário político pós-eleitoral do que dos argumentos técnicos.
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Comentários (1)
Luiz
há 2 semanasInvestiga práticas comerciais do Brasil que afetam comércio dos EUA com o Brasil. Flávio Bolsonaro seria só uma piada em matéria de relações internacionais se não fosse um entreguista aos interesses do grupo de Trump, que usa a presidência pra ganhar muito dinheiro.
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