FINANCIAMENTO DE FILME
Flávio Bolsonaro explica aporte de ex-banqueiro em filme do pai
Senador nega 'vantagem política' e afirma que Daniel Vorcaro investiu R$ 134 milhões com previsão de retorno financeiro para produção de 'Dark Horse'.
Em resposta às recentes revelações do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta sexta-feira, 15/05/2026, um novo pronunciamento, buscando esclarecer sua participação nas negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse". O parlamentar negou categoricamente qualquer "doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política", afirmando que o ex-dono do Banco Master realizou um investimento com previsão de retorno financeiro. A controvérsia, que envolve cifras milionárias e o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, levanta sérias questões sobre a transparência e a conduta ética de figuras públicas em transações de grande porte, impactando a confiança da sociedade nas instituições.
As negociações vieram à tona na quarta-feira, 13/05/2026, quando o Intercept Brasil revelou que Flávio teria intermediado um repasse de cerca de R$ 134 milhões com o ex-dono do Banco Master para viabilizar a produção do longa-metragem sobre seu pai. Documentos apontam que pelo menos US$ 10,6 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 61 milhões, foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações bancárias, para o financiamento do projeto.
Inicialmente, no mesmo dia da publicação da reportagem, Flávio já havia divulgado uma nota defendendo seu envolvimento como "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". No novo comunicado, o senador detalha sua versão dos fatos, reforçando que Vorcaro "fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra".
Além disso, o parlamentar refuta a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro. Segundo a nota, "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos", garantindo a rastreabilidade e a legalidade das operações, conforme sua defesa.
Flávio Bolsonaro também ofereceu uma cronologia do relacionamento com Daniel Vorcaro para contextualizar as negociações. "A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente", explicou. Ele ressaltou que, à época, o ex-banqueiro "circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais", inclusive um evento em Nova York em maio de 2024, promovido por um grande grupo de comunicação brasileiro, onde foi apresentado ao mercado americano. Nesse cenário, o investimento no filme foi buscado.
O senador assegurou que as relações com Vorcaro foram encerradas assim que os pagamentos deixaram de ser honrados e as acusações contra o ex-banqueiro vieram a público. "Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados", afirmou, destacando o rompimento imediato diante de novas informações.
Para o senador, é fundamental "restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política". Ele reiterou que sua participação no projeto do filme "limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato".
Criticando as tentativas de associação com escândalos passados, Flávio Bolsonaro declarou: "Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas." Ele pontuou que não houve "reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro". Finalizando, o parlamentar defendeu a investigação rigorosa e transparente dos fatos e exigiu a instalação de uma CPI do Master.
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