MAIORIA GOVERNISTA NO CONGRESSO
Flávio Bolsonaro defende maioria governista no Congresso para mudar Constituição
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que pretende formar um bloco de direita com quórum para aprovar emendas constitucionais e reduzir o número de ministérios. Objetivo é dar previsibilidade a investidores e limitar 'decisões monocráticas'.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira, 02/06/2026, sua intenção de formar uma maioria de direita no Congresso Nacional. Aliada ao presidente do País, essa coalizão buscaria o quórum necessário para aprovar mudanças constitucionais e, segundo ele, garantir que "as instituições voltem a atuar dentro de seus limites". A declaração foi feita durante o evento Eloos Itatiaia, em Belo Horizonte, com foco no agronegócio.
Flávio Bolsonaro também defendeu uma "redução drástica" no número de ministérios e cargos na administração federal. Ele argumentou que uma maioria parlamentar alinhada a um governo de direita coibiria "decisões monocráticas" que, em sua visão, prejudicam projetos de infraestrutura, como o Ferrogrão, e geram insegurança jurídica em temas como demarcação de terras indígenas, licenciamentos ambientais e áreas de preservação. "Com um Congresso majoritariamente de centro-direita, alinhado com um presidente da República de centro-direita, nós vamos conseguir dar essa previsibilidade", afirmou o senador.
O parlamentar relatou ter ouvido de investidores estrangeiros, durante uma recente rodada internacional, que a falta de segurança jurídica, a corrupção e a imprevisibilidade afastam investimentos no Brasil. Ele exemplificou: "Não dá para fazer um plano de negócio de 10, 20 anos se, a cada ano, muda a lei e, a cada humor de um ministro do Supremo, as decisões acabam interferindo no planejamento tributário e no plano de negócios feitos por essas empresas". Essa crítica à ingerência do STF (Supremo Tribunal Federal) reflete o discurso do bolsonarismo, que frequentemente tem a Corte como alvo por decisões contrárias ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dirigindo críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro apontou que o agronegócio, apesar de sua pujança, enfrenta endividamento devido à "gastança desenfreada" da gestão petista. Ele acusou o governo de buscar elevar a arrecadação por meio de novos ou maiores tributos, argumentando que a carga tributária já excede 32% do PIB, enquanto a dívida pública se aproxima de R$ 10 trilhões, com a relação dívida/PIB acima de 80%.
"É uma bola de neve que só pode ser estancada. Uma sangria, uma hemorragia que só pode ser estancada com o controle das contas públicas, com as despesas cabendo dentro do orçamento, o governo gastando apenas aquilo que arrecada. E é tudo o que não acontece hoje", declarou.
Desburocratização e Venda de Ativos
Para além da redução de ministérios, Flávio Bolsonaro defendeu a desburocratização da máquina pública com a criação de uma secretaria nacional dedicada ao tema e a venda de participações do governo federal em empresas privadas. Ele relembrou a redução de mais de 20 mil cargos em comissão no início do governo Bolsonaro em 2019 como um exemplo. O senador criticou a "ideologização de pautas" como causadora de excesso de burocracia e defendeu a redução da dependência de fertilizantes importados, o estímulo à produção nacional e a aceleração da exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Quanto à exploração petrolífera, Flávio sugeriu rever modelos de leilão para aumentar a arrecadação, com cobranças maiores de outorga inicial e simplificação de burocracias na exploração e venda. Os recursos, estimados em centenas de bilhões de reais, poderiam ser destinados à redução de juros da dívida, financiamento de infraestrutura, projetos estruturantes, aceleração de PPPs e ações de proteção social. Ele ressalvou, porém, que a redução de gastos públicos não deve penalizar a população mais vulnerável, pois "a gente tem que crescer esse bolo para poder garantir, mais uma vez, que o Brasil tenha previsibilidade."
O senador propôs também o aproveitamento de ativos da União para gerar caixa e diminuir impostos. Ativos federais avaliados em mais de R$ 1 trilhão, que hoje geram despesas anuais superiores a R$ 300 milhões, poderiam ser reunidos em um fundo, administrados e securitizados.
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