EMBATE POLÍTICO
Flávio Bolsonaro compara filme a samba e critica uso de verba pública
Senador usa produção sobre Jair Bolsonaro para alfinetar governo Lula e levantar debate sobre financiamento cultural em 15 de maio de 2026.
Em um embate político que incendiou o debate sobre financiamento cultural e estratégias de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) comparou o filme "Dark Horse", que homenageia seu pai, Jair Bolsonaro (PL), ao samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, que enalteceu o presidente Lula (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro. A declaração, feita em 15 de maio de 2026, visou demarcar diferenças claras sobre a origem dos recursos para tais produções, lançando uma "marretada" retórica contra o governo do PT e provocando discussões sobre transparência e ética em meio à corrida eleitoral.
Durante seu discurso no evento de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, Flávio Bolsonaro reafirmou ter captado recursos privados, incluindo os R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, para financiar o filme sobre seu pai, e destacou que a produção não utiliza recursos da Lei Rouanet.
"A gente não tem Lei Rouanet. Eu não posso bater na porta da Embratur, do Marcelo Freixo, lá em Brasília, [ou] do prefeito de Niterói, no Rio de Janeiro, e pedir dinheiro público para fazer o desfile de escola de samba, que é uma propaganda que ainda zomba das famílias brasileiras", afirmou Flávio, criticando indiretamente o uso de verbas governamentais para eventos culturais.
Vale ressaltar que a Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), o mesmo valor concedido a todas as escolas do Grupo Especial. A agremiação, no entanto, não utilizou a verba da Lei Rouanet, fato que Flávio Bolsonaro utilizou para reforçar seu argumento.
Em um tom que emulava as falas de seu pai, o senador declarou estar "mais motivado do que nunca" e prometeu dar uma "marretada" no governo do PT. "Quando a verdade está do nosso lado, quando a gente sabe que fez a coisa certa, e quando a gente sabe o inimigo que nós vamos enfrentar, isso nos motiva, nos dá muito mais força e retorno. Marretada neles", proferiu.
A plateia, majoritariamente composta por apoiadores bolsonaristas com camisetas do PL e bandeiras do Brasil, expressou seu entusiasmo com aplausos e gritos de "fora PT", reforçando o tom polarizado do evento. Ao término do discurso, jingles com ritmos variados voltaram a tocar, enaltecendo Flávio como o "novo capitão" e a promessa de "entrar com o pé direito".
O clima de otimismo no auditório, contudo, contrastava com a apreensão de alguns aliados nos bastidores. Eles expressavam preocupação com o desgaste político na campanha do senador, agravado pelas recentes revelações sobre o financiamento do filme.
Desde a revelação da conexão entre Flávio e Vorcaro, políticos bolsonaristas, nos bastidores, manifestaram surpresa e desconhecimento sobre o financiamento do banqueiro do Master ao filme. Muitos têm evitado se pronunciar publicamente, receando a divulgação de novas informações.
Ainda em 15 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro admitiu a possibilidade de vazamento de novos materiais relacionados à sua interação com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas categoricamente negou qualquer irregularidade nos contatos entre os dois. Ele declarou à CNN Brasil: "Pode vazar um 'videozinho' mostrando o estúdio [do filme] que eu possa ter enviado para ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, [mas] foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha."
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