LEI DO TRABALHO

Fim da escala 6x1 pode gerar desemprego e informalidade, alerta pesquisador da FGV Ibre

Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, em imagem de arquivo.
Pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, avalia impactos da mudança na legislação trabalhista.

Daniel Duque, do FGV Ibre, aponta que pressa na aprovação da reforma sem discussão de detalhes e mecanismos de transição pode levar à perda de empregos formais e aumento da informalidade. Tarifas de serviços públicos podem subir.

[ { "type": "paragraph", "props": {"content": "A decisão de acelerar a aprovação do projeto de lei que visa o fim da escala de trabalho 6x1, em discussão na Câmara dos Deputados, levanta preocupações sobre seu impacto socioeconômico. Daniel Duque, pesquisador associado do FGV Ibre, avalia que a pressa do governo em obter a aprovação, sem a devida discussão de detalhes e mecanismos de transição, pode resultar em consequências negativas para o mercado de trabalho e a economia." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O relator do projeto na Câmara, Leo Prates, já indicou a intenção de apresentar um novo parecer, endossando o texto do governo, que busca destravar a pauta da Casa. Paralelamente, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com tema similar, aprovada anteriormente pela Câmara, aguarda votação no Senado. A movimentação indica uma estratégia para priorizar a aprovação legislativa e, possivelmente, obter retornos políticos rápidos." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Duque ressalta que essa celeridade, embora possa ser vista como uma prioridade política, sacrifica um debate aprofundado sobre as múltiplas facetas da reforma. "Geralmente, quando se tem pressa, perdemos um pouco uma discussão importante dos detalhes para tentar fazer essa mudança, que vai afetar muitos setores, vai afetar a economia de várias formas", explicou o pesquisador. A falta de atenção aos pormenores pode gerar insegurança para o setor produtivo, que necessita de clareza sobre o futuro do custo e da rigidez das escalas de trabalho para planejar investimentos e contratações em horizontes de um a quatro anos." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O fim da escala 6x1 implica, simultaneamente, a redução da jornada semanal e a restrição ao trabalho em regime de seis dias seguidos com um de descanso. Essa dupla mudança impacta não somente o total de horas trabalhadas, mas também a logística de alocação de pessoal pelas empresas para a manutenção ou ampliação da produção." } }, { "type": "heading", "props": {"level": 2, "content": "Risco de desemprego, automação e informalidade" } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "As projeções de Duque sobre os efeitos colaterais da reforma são diretas. Um aumento no custo da mão de obra, aliado a uma maior rigidez na gestão das horas, tende a resultar em perda de postos de trabalho formais. As empresas podem reagir de três maneiras principais: demissões, investimentos em automação e tecnologia para reduzir a dependência de trabalhadores, ou a migração de mão de obra para o setor informal, incluindo a formalização como Microempreendedor Individual (MEI), como forma de contornar as novas regulamentações trabalhistas." } }, { "type": "heading", "toEqual": false, "props": {"level": 2, "content": "Impacto nos serviços públicos e nas tarifas" } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O debate sobre o fim da escala 6x1 também se estende a serviços públicos concedidos à iniciativa privada, como o transporte urbano. Levantamento divulgado pela Folha de São Paulo sugere que o aumento do custo trabalhista pode ser repassado aos consumidores, com estimativas de elevação de até 8% nas tarifas de ônibus. Segundo Duque, em setores com alta empregabilidade, o encarecimento do trabalho se traduz diretamente no aumento dos preços pagos pelos usuários." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Para uma implementação mais segura e responsável da redução da jornada, Duque defende uma transição gradual e setorizada. A sugestão é que a mudança seja aplicada inicialmente a grupos específicos de empresas ou setores, com uma expansão progressiva ao longo dos anos. Essa abordagem permitiria uma avaliação contínua dos impactos reais e ajustes necessários antes de uma aplicação universal, garantindo maior estabilidade e previsibilidade para todos os envolvidos." } ]

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário