DECISÃO HISTÓRICA
Fim da escala 6x1 avança no Senado com articulação entre Alcolumbre e Lula
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é peça-chave para aprovação da PEC que visa acabar com jornada de trabalho 6x1. Lula atuará para destravar relação institucional.
O fim da escala de trabalho 6x1 foi decidido pela Câmara dos Deputados e agora aguarda a análise do Senado. O motivo para essa decisão é o desejo de reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, o que importa para a dignidade e bem-estar dos trabalhadores. A proposta, aprovada em dois turnos na Câmara por ampla maioria (472 a 22 votos no primeiro e 461 a 19 no segundo), segue para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pauta para votação. A proposta é considerada definitiva após a aprovação em ambos os turnos na Câmara, aguardando agora o processo legislativo no Senado. O avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado depende de um distensionamento na relação entre o Executivo e o Legislativo. Para viabilizar a tramitação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará reatar o diálogo com Alcolumbre. Essa articulação é fundamental, pois Alcolumbre é quem define a pauta de votações da Casa Alta. Após a aprovação na Câmara, Lula celebrou a "conquista histórica" em suas redes sociais e assegurou que o governo trabalhará "intensamente" para que o Senado também aprove o texto. A relação entre Lula e Alcolumbre enfrenta tensão desde abril, após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF. No entanto, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que Lula buscará Alcolumbre para retomar a parceria, comparando a situação a "dois amigos que ficam alguns meses sem se falar". O encontro entre os dois líderes está previsto para ocorrer entre quinta-feira (28) e sexta-feira (29) de maio. A expectativa é que discutam o formato da proposta no Senado e a agilidade na votação, com o Planalto buscando manter a redação similar à aprovada na Câmara e a aprovação antes das eleições deste ano. A PEC estabelece uma transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, em duas etapas, sem redução salarial. A primeira redução de duas horas ocorrerá 60 dias após a promulgação, e a segunda, 12 meses depois. Alcolumbre tem indicado a aliados que não pretende dificultar a votação, mas enfrenta pressão de setores empresariais que pedem mais tempo para analisar a PEC. Os empresários se reuniram com o senador na terça-feira (26) para defender o adiamento da discussão, argumentando que o período eleitoral não é adequado. Contudo, o governo aposta na popularidade da medida. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em março, apontou que 71% da população apoia o fim da escala 6x1. Esse expressivo apoio popular se refletiu na votação na Câmara, com ampla maioria. Diante desse cenário, deputados governistas esperam que o Senado aprove o texto ainda no primeiro semestre, antes do recesso parlamentar previsto para 18 de julho. A proposta é vista pelo governo como uma importante bandeira eleitoral.
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