INCOMPLETA

Fim da CPI do Crime frustra sociedade, decide Alcolumbre

Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, anuncia o fim da CPI do Crime Organizado.
Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, após decisão sobre a CPI do Crime Organizado.

Pedido de prorrogação de 60 dias foi negado, deixando lacunas na apuração sobre crimes e a atuação de autoridades. Apenas 18 de 110 pessoas foram ouvidas.

Na terça-feira, dia 7, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), selou o destino da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ao negar sua prorrogação por mais 60 dias. O argumento da proximidade do período eleitoral encerra os trabalhos da comissão na terça-feira, dia 14, com um balanço preocupante: mais de 90 pessoas, incluindo figuras públicas de relevo, deixarão de ser ouvidas. Esta interrupção abrupta levanta questões sérias sobre a efetividade do combate ao crime organizado no país e a transparência para a sociedade, que aguardava respostas concretas sobre esquemas e fraudes financeiras.

Um levantamento exclusivo, baseado nos requerimentos aprovados pela comissão, revela que o colegiado havia agendado a oitiva de pelo menos 110 indivíduos. A lista incluía ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e autoridades renomadas na área de Segurança Pública, cujos depoimentos poderiam aprofundar o entendimento e as ações contra redes criminosas. No entanto, desde sua instalação, a comissão conseguiu ouvir apenas 18 pessoas.

No encerramento dos trabalhos, previsto para a terça-feira, dia 14, a CPI ainda tem agendada a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, além da leitura e deliberação do relatório final. Este último encontro marcará o fim de quatro meses de atividades intensas, porém incompletas.

Ainda em fevereiro, a CPI do Crime aprovou convites cruciais aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF, e ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. Enquanto os ministros não compareceram para prestar esclarecimentos, o chefe da autoridade monetária foi ouvido pelo colegiado.

A comissão também buscou insistentemente, mas sem êxito, os depoimentos do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). O objetivo era, principalmente, questioná-los sobre a complexa fraude financeira do Banco Master. Ambos foram convocados – o que torna a presença obrigatória –, mas conseguiram habeas corpus, impedindo suas oitivas e deixando lacunas na apuração.

A intenção inicial da CPI era expandir o panorama, ouvindo ao menos 11 governadores e seus respectivos secretários de Segurança Pública. Contudo, apenas Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, compareceu a uma audiência. A meta era traçar um diagnóstico abrangente da atuação do crime organizado nos estados e das estratégias de combate adotadas por cada gestão, o que ficou comprometido pela falta de depoimentos.

A cúpula da CPI do Crime Organizado exerceu forte pressão sobre Davi Alcolumbre para estender os trabalhos por mais 60 dias. Entretanto, o presidente do Congresso rejeitou a solicitação, justificando que a proximidade do ano eleitoral não favorecia a continuidade de uma investigação parlamentar. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), manifestou sua frustração após reunião com o presidente do Senado:

“Ele [Alcolumbre] justifica dizendo que se trata de um ano eleitoral, e na visão dele não é bom ter uma CPI tramitando. É óbvio que não concordamos, entendo que o presidente Davi presta um grande desserviço à população”, declarou Vieira, reforçando o impacto negativo da decisão na busca por justiça e na confiança pública.

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