ESCÂNDALO FINANCEIRO

Filme sobre Bolsonaro, “Dark Horse”, vira centro de polêmica com denúncias de pressão por financiamento e fraudes

Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme Dark Horse
Jim Caviezel caracterizado como o ex-presidente Jair Bolsonaro

Conexões entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em São Paulo, trazem à tona um complexo cenário de pressões para custear a produção da cinebiografia.

A polêmica em torno do filme "Dark Horse", que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, intensificou-se nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, com as revelações sobre a pressão exercida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O objetivo era garantir o financiamento da produção, um cenário que agora se mistura à prisão de Vorcaro sob acusações de chefiar um esquema de fraudes financeiras bilionário, levantando sérias questões sobre a ética e a transparência no financiamento de projetos culturais com envolvimento político e o impacto dessas manobras na dignidade da coisa pública.

Em meio à repercussão dos fatos, o próprio título do filme tem sido objeto de especulações e debates on-line. Sem uma versão oficial em português divulgada, o longa mantém o nome em inglês: "Dark Horse". A expressão é utilizada para se referir a alguém que é um "azarão", ou seja, que surge de forma inesperada e surpreende em um contexto de disputa ou competição.

Segundo o renomado dicionário Collins, "Dark Horse" significa "um competidor em uma corrida ou competição sobre o qual pouco se sabe; um desconhecido" ou "Uma pessoa que revela pouco sobre si mesma ou sobre suas atividades, especialmente alguém que possui talentos ou habilidades inesperadas". No contexto da política dos Estados Unidos (EUA), a expressão ganha o sentido de "um candidato que é inesperadamente nomeado ou eleito".

A controvérsia em torno do financiamento do filme ganhou maior relevância nesta semana, quando veio à tona que o banqueiro Daniel Vorcaro teria auxiliado a custear a produção por meio de negociações diretas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Atualmente, o proprietário do Banco Master encontra-se detido em São Paulo, acusado de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras que pode atingir a cifra de R$ 12 bilhões, conforme apurações da Polícia Federal. Essa prisão adiciona uma camada de gravidade às discussões sobre a origem e a legalidade dos recursos destinados ao projeto cinematográfico, que repercutem profundamente na confiança da sociedade nas instituições.

"Dark Horse" promete retratar os bastidores da campanha presidencial de 2018, incluindo o atentado sofrido por Bolsonaro durante um comício em Juiz de Fora (MG). A direção do longa é assinada por Cyrus Nowrasteh, e o papel principal é interpretado por Jim Caviezel, conhecido por sua atuação como Jesus Cristo em "A Paixão de Cristo". O roteiro é de autoria do deputado federal Mario Frias, ex-secretário de Cultura e aliado próximo do ex-presidente, consolidando a conexão política da obra.

De acordo com informações divulgadas pelo Intercept Brasil, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações financeiras vinculadas ao projeto. Em diálogos revelados pelo portal, Flávio Bolsonaro expressou preocupação com o risco de um "calote" nos principais nomes do elenco e da equipe de direção. "Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, em um Cyrus. Os caras, pô! Renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim", disse o senador em um dos áudios, evidenciando a dimensão do comprometimento financeiro e reputacional envolvido.

O lançamento de "Dark Horse" está confirmado nos cinemas brasileiros para o dia 11 de setembro de 2026, e a expectativa é que a polêmica de seu financiamento continue a pautar discussões até lá.

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