TURISMO EXIGE PLANOS

Fecomércio RN cobra que candidatos a governador incluam metas de turismo em planos de governo para 2026

George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN.
George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN.

Fecomércio RN elabora documento com prioridades do setor para ciclo 2027-2030 e busca compromisso formal dos futuros governantes com desenvolvimento econômico e infraestrutura potiguar.

O setor turístico do Rio Grande do Norte busca transformar a eleição de 2026 em oportunidade para que antigas demandas saiam das promessas genéricas e entrem nos planos oficiais de governo. A Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN prepara um documento com propostas para o ciclo 2027-2030, com a intenção de entregá-lo aos candidatos ao Governo do Estado após a oficialização das candidaturas. A meta é que prioridades como licenciamento ambiental, malha aérea, concessões, promoção turística, interiorização e novos investimentos figurem nos programas registrados na Justiça Eleitoral.

Essa iniciativa integra o projeto Vai Turismo, uma ação nacional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que é replicada nos estados. No RN, a Fecomércio tem reunido representantes do trade, entidades empresariais e instituições do setor para revisar propostas antigas, analisar o progresso desde o último ciclo eleitoral e definir novas prioridades para os próximos quatro anos.

George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN.
George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN.

George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN, ressaltou que o objetivo é construir uma agenda permanente para o setor, transcendendo a mera pauta de campanha. Segundo ele, quando uma proposta é incorporada ao plano de governo de um candidato, torna-se um compromisso público formal, passível de acompanhamento durante o mandato.

"A ideia nossa é que esses candidatos absorvam essas informações, coloquem no plano de governo, ou seja, não seja apenas uma questão eleitoral, e sim uma de desenvolvimento econômico do setor", declarou George Costa em entrevista à TV Tropical. O documento será apresentado às equipes dos candidatos após a definição oficial das candidaturas. Posteriormente, a Fecomércio pretende discutir quais pontos podem ser incorporados aos planos de governo que serão encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN). George Costa explicou que a entidade apresentará um material abrangente sobre comércio, serviços e economia potiguar, com um capítulo dedicado ao turismo, e não apenas um diagnóstico setorial.

A elaboração desta pauta não parte do zero. George Costa relembrou que a Fecomércio já realizou movimentos semelhantes nas eleições estaduais de 2022 e nas municipais. Na avaliação do ciclo anterior, ele mencionou que algumas propostas foram atendidas, mas a maioria ainda carece de avanço. Entre os pontos positivos, destacou melhorias em estradas turísticas, recuperação de rodovias, início dos processos de PPPs e concessões do Centro de Convenções de Natal, e a relicitação do Aeroporto Internacional de Natal, ainda que esta última tenha sido uma pauta federal.

"Algumas sim, outras não, mas a grande maioria não", ponderou George Costa sobre o cumprimento das propostas anteriores. Para ele, os avanços contribuíram para a competitividade do destino, mas ainda são insuficientes diante do potencial do RN e da velocidade com que outros estados nordestinos têm ampliado equipamentos, leitos e investimentos.

A cobrança ocorre em um cenário de crescimento do turismo potiguar. Dados da Emprotur revelam que, de janeiro a setembro de 2025, o RN recebeu 61,5 mil turistas estrangeiros, um aumento de 50,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a média nacional de 45%. O Governo do Estado também informou que as atividades turísticas registraram crescimento de 3,5% em volume e 8,9% em receita no acumulado de janeiro a novembro de 2025.

Para o trade, esses números evidenciam a força do setor, que necessita de planejamento para sustentar sua expansão. George Costa enfatiza que, embora o turismo seja impulsionado por empresários, trabalhadores e prestadores de serviço, ele depende fundamentalmente do poder público em áreas cruciais. A iniciativa privada gerencia hotéis, bares, restaurantes, agências e receptivos, mas o Estado é essencial para garantir promoção, infraestrutura, regulação eficaz, conectividade e qualificação profissional.

"O turismo é feito pelo empresário, ele é feito pelas pessoas, pelos trabalhadores", afirmou George Costa. "Só que ele precisa do poder público em vários momentos, especialmente na área de promoção turística."

George Costa explicou que, ao apresentar o destino ao mercado, o setor comercializa experiências completas, não apenas empreendimentos isolados. Ele citou Natal, São Miguel do Gostoso e Pipa como exemplos de produtos turísticos que demandam organização, promoção e apresentação integrada ao mercado, com a colaboração do poder público e da iniciativa privada.

Prioridades

O setor turístico do RN almeja apresentar aos candidatos de 2026 uma pauta focada em infraestrutura, conectividade e atração de investimentos. Um dos principais obstáculos identificados é o licenciamento ambiental, considerado pelo trade como um dos fatores que mais dificultaram novos investimentos nas últimas décadas. Segundo George Costa, o entrave reside não na legislação ambiental em si, mas na lentidão dos processos, na falta de estrutura técnica e na carência de pessoal qualificado para análise de projetos.

Outra prioridade é a expansão da malha aérea, com o fortalecimento de rotas nacionais e internacionais, além da criação de um plano estratégico para identificar áreas propícias a receberem novos empreendimentos hoteleiros, parques, restaurantes e outros equipamentos turísticos.

A Via Costeira em Natal é vista como um reflexo da estagnação do turismo potiguar. George Costa aponta que a capital potiguar não recebe investimentos relevantes em seu principal corredor hoteleiro há cerca de 20 anos, enquanto outros destinos nordestinos têm modernizado sua estrutura e aumentado a competitividade.

O setor também defende a concessão e a celebração de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para equipamentos públicos como o Centro de Convenções, a Fortaleza dos Reis Magos, o Cajueiro de Pirangi e o Parque das Dunas. A justificativa é que a iniciativa privada poderia otimizar a conservação, a promoção e os investimentos nesses locais. A pauta inclui ainda o apoio à interiorização do turismo, a qualificação profissional e o acompanhamento contínuo dos compromissos firmados pelos futuros governantes.

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