GOLPE MILIONÁRIO

Família é presa no ES e em MG por desviar R$ 18 milhões em doações para vítimas das enchentes no RS

Imagem de arquivo da operação policial que prendeu suspeitos de desviar doações.
Família suspeita de desviar doações para vítimas das enchentes no RS é presa no ES e em MG

Investigação da Polícia Civil aponta que grupo criou site falso para arrecadar dinheiro para o Rio Grande do Sul e depois aplicou golpes de falso empréstimo. Vítimas foram identificadas em ao menos cinco estados.

Quatro pessoas de uma mesma família foram presas nesta segunda-feira (29/07/2026), no Espírito Santo (ES) e em Minas Gerais (MG), suspeitas de desviar mais de R$ 18 milhões em doações destinadas às vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul (RS) em 2024. Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizou um site falso para arrecadar fundos e, posteriormente, aplicou golpes de falso empréstimo com os dados das vítimas. A operação é um alerta sobre a fragilidade da solidariedade online e o impacto devastador de fraudes em momentos de crise humanitária.

A investigação teve início após um alerta da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que apontou a criação de um site fraudulento para captar recursos de forma ilícita. Diego Leite de Sousa, 31, apontado como líder, foi preso em Vila Velha (ES). Seus irmãos, Jackson Leite de Sousa, 33, e Jefferson Leite de Sousa, 35, foram detidos em Muriaé (MG), na mesma residência onde estava Thays Martins Nascimento, 27, esposa de Jefferson.

Além das prisões, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Policiais recolheram aparelhos eletrônicos, celulares, substâncias anabolizantes e um veículo de luxo avaliado entre R$ 190 mil e R$ 200 mil, adquirido recentemente. A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Piúma, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Polícia Civil de Minas Gerais.

O delegado Rodrigo de Mello Toscano, titular da Delegacia de Piúma, detalhou o modus operandi do grupo. "Aproveitando-se da solidariedade das pessoas em um momento de grande fragilidade, os investigados simulavam uma campanha beneficente para captar recursos de forma fraudulenta", explicou. Após a retirada do site do ar, os suspeitos passaram a aplicar golpes de falso empréstimo, utilizando os dados pessoais das vítimas.

As vítimas acessavam links que as direcionavam a números de telefone controlados pelos criminosos. A partir desse contato, eram obtidos dados sensíveis, como CPF e imagens de documentos, que serviam para a aplicação de novos golpes. O esquema teve atuação nacional, com vítimas identificadas em pelo menos cinco estados.

Análises financeiras indicaram movimentações atípicas superiores a R$ 18 milhões, transacionadas por uma pessoa jurídica associada ao apontado líder, com envolvimento de mais de 40 pessoas. O grupo criminoso já respondia a outra ação penal por crimes patrimoniais cometidos pela internet, demonstrando reincidência e a gravidade de suas ações para a dignidade humana.

O padrão de vida dos suspeitos chamou atenção: residências de alto padrão, móveis e eletrônicos de qualidade, além de um veículo de luxo, contrastavam com a alegação de desemprego. Essas evidências reforçam que a renda principal provinha das atividades ilícitas.

A Polícia Civil recomenda que a população redobre a atenção ao realizar doações online ou fornecer dados pessoais. É fundamental verificar a autenticidade de sites, conferir chaves PIX, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências sobre campanhas antes de efetuar qualquer transferência. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e recuperar o patrimônio desviado.

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