ALERTA IGNORADO
Falhas em Alcaçuz foram ignoradas antes de fuga, revelam documentos
Documentos exclusivos do BNews Natal revelam alertas do Sindppen-RN sobre videomonitoramento.
A fuga de cinco detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz expôs falhas críticas de segurança que foram previamente ignoradas, conforme documentos acessados pelo BNews Natal nesta segunda-feira, 04/05/2026. Registros internos confirmam repetidos alertas de policiais penais sobre um sistema de videomonitoramento defeituoso. A negligência a essas advertências compromete a segurança da população carcerária e da sociedade em geral, evidenciando vulnerabilidades sistêmicas no sistema prisional do Rio Grande do Norte.
A fuga dos detentos trouxe à tona a urgência de problemas já conhecidos. Em março, o Sindicato dos Policiais Penais (Sindppen-RN) enviou um memorando à Central de Video e Rádio Monitoramento Prisional da Secretaria de Administração Penitenciária. O documento, com o assunto “manutenção do Sistema de Videomonitoramento”, solicitava reparos no Pavilhão 1.
“Senhor(a) Diretor(a) da CRV, com os nossos cordiais cumprimentos, venho por meio deste solicitar a realização de manutenção no sistema de videomonitoramento do Pavilhão 1 desta unidade prisional, o qual encontra-se, atualmente, sem funcionamento”, afirmava o memorando, assinado por um membro do sindicato e diretor da unidade em Alcaçuz, que preferiu não se identificar. O texto era acompanhado de uma imagem que mostrava os monitores apagados, inoperantes.
O alerta enfatizava a importância vital do equipamento: “Ressaltamos a importância do correto funcionamento deste sistema, uma vez que cobre todo o perímetro, interno e externo, do referido Pavilhão, sobretudo, para aqueles servidores lotados no referido posto de serviço”.
Um segundo memorando foi enviado à central em 2 de abril, reforçando a persistência dos mesmos problemas e a necessidade imediata de manutenção. Essa reiteração demonstra a continuidade das falhas e a inação diante dos avisos.
Vilma Batista, presidente do Sindppen, contextualizou a gravidade da situação. “O monitor estava quebrado há meses, não só esse, como em outras unidades também. As guaritas, desde 2023, não são ativadas. Nós estamos hoje com uma rotina muito grande com esses projetos dentro da unidade, onde nós fazemos movimentação diária de presos com o número mínimo de policiais”, relatou.
A falta de efetivo agrava ainda mais o cenário, sacrificando procedimentos cruciais de segurança. “Muitas vezes deixamos de fazer as rotinas de segurança, que é a vistoria interna, a vistoria minuciosa nas celas estruturais, justamente porque não temos efetivo”, explicou Vilma. A falha em atender às denúncias não apenas enfraqueceu a segurança da Penitenciária de Alcaçuz, mas também expôs os policiais penais e a comunidade a riscos desnecessários, gerando um ambiente de insegurança e desconfiança.
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