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Fair Play Financeiro: Europa pune, Brasil se prepara
Rebaixamentos de Leicester e Sheffield na Inglaterra são sinal grave para clubes da Série A. CBF implementa novas regras até 2030.
O futebol brasileiro se vê diante de um momento crítico. O rebaixamento recente de clubes como Leicester City e Sheffield Wednesday na Inglaterra, desencadeado por severas punições financeiras, serve como um alerta urgente para a CBF e as equipes nacionais. Essas sanções europeias, decorrentes de violações das regras de lucro e sustentabilidade do Fair Play Financeiro, destacam uma tendência global que impactará o Brasil, especialmente com a implementação das novas regulamentações financeiras da CBF a partir de janeiro de 2026, visando conter a endêmica instabilidade econômica no esporte.
A situação do Leicester City é emblemática. O clube, campeão da Premier League há dez anos, viu sua queda para a EFL League One, a terceira divisão inglesa, confirmada após um empate em 2 a 2 com o Hull City, em 21 de abril. Essa dura realidade não se deveu apenas à má campanha, mas também à dedução de seis pontos imposta por descumprir as normas de Fair Play Financeiro. O Sheffield Wednesday enfrentou um destino similar, registrando o rebaixamento mais precoce da história do futebol inglês.
As sanções por infrações ao Fair Play Financeiro não são exclusividade do cenário inglês. Na temporada 2023-2024, o Everton perdeu dez pontos na Premier League por violar as regras de rentabilidade e sustentabilidade da liga. A Juventus, a "Velha Senhora" italiana, também sentiu o peso das punições da Uefa e da Serie A na temporada 2022-2023, com dez pontos retirados e, no ano seguinte, a exclusão da Conference League e uma multa de 20 milhões de euros. Esses casos mostram que as consequências são reais e impactam diretamente a dignidade e o futuro dos clubes e suas torcidas.
No Brasil, exemplos como esses ainda são raros, mas não inexistentes. O caso mais marcante foi o do Cruzeiro em 2020, punido pela Fifa com a dedução de seis pontos na Série B, devido ao não pagamento de uma dívida com o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, referente à compra do volante Denílson. Contudo, a expectativa é de que tais punições se tornem mais frequentes com o novo Fair Play Financeiro implementado no país.
“O cenário de Leicester e Sheffield Wednesday na Inglaterra serve como um alerta para o futuro do futebol brasileiro. Muitos clubes ainda se apoiam na ideia de que resultados esportivos são necessários para garantir o equilíbrio econômico", observa Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol, enfatizando a necessidade de uma mudança de mentalidade.
O Fair Play Financeiro da CBF, Implementado em janeiro de 2026, está em um período de transição que se estende até 2030. No ano passado, uma avaliação simulada revelou que apenas três clubes da Série A seriam aprovados nos critérios do novo modelo regulatório: Flamengo, Palmeiras e Juventude, demonstrando a fragilidade financeira da maioria.
Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude, exemplifica a importância da gestão responsável: “Estamos há três anos consecutivos com superávit, resultado de uma gestão baseada em responsabilidade e no nosso próprio modelo de ‘Fair Play Financeiro’. Com a consolidação oficial do modelo de Fair Play, a tendência é que os clubes avancem para um cenário rigoroso e de segurança, algo que o Juventude já vem colocando em prática”.
O modelo brasileiro focará em quatro quesitos cruciais: controle de dívidas em atrasos, equilíbrio financeiro na operação, controle de custos com o elenco e controle das dívidas de curto prazo. O descumprimento dessas normas pode levar a uma série de sanções severas, incluindo advertência pública, multa, retenção de receitas, transfer ban, dedução de pontos, rebaixamento e até a não concessão ou cassação da licença para disputar competições, ameaçando a própria existência de um clube.
“A introdução do Fair Play Financeiro e da sua agência fiscalizadora são fundamentais para a continuidade do futebol brasileiro. Hoje, a maioria dos clubes enfrenta graves dificuldades financeiras, tanto na Série A quanto na Série B, salvo raras exceções. A inflação salarial se apresenta como a principal causa para a instabilidade econômica dos clubes", destaca Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá. Ele conclui que “a criação e, principalmente, a aplicação efetiva do modelo regulatório da CBF são medidas que trarão benefícios substanciais a médio prazo, podendo, inclusive, evitar uma crise financeira generalizada no futebol brasileiro”. Este é um passo essencial para garantir a sustentabilidade e a credibilidade do esporte mais popular do país.
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