AVANÇO CRIMINOSO

Facções avançam no interior e desafiam Estado, aponta Fórum

Facções criminosas expandem influência e ampliam poder político no país
Facções criminosas expandem influência e ampliam poder político no país

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que homicídios caem em capitais, mas explodem no interior, atingindo a dignidade de milhões.

O avanço das facções criminosas para o interior do Brasil intensifica a violência e ameaça a dignidade de milhões, conforme revelam estudos recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esta alarmante constatação foi reiterada nesta segunda-feira, 04/05/2026, destacando como grandes capitais reduziram suas taxas de homicídios em mais de 60% entre 2013 e 2023, enquanto cidades médias e pequenas se transformaram em novos palcos de disputas e controle, subjugando comunidades e impondo suas próprias regras.

Esses grupos criminosos abandonaram a atuação localizada e operam de forma articulada em escala nacional e transnacional. Eles se apoiam no domínio de territórios, no uso da força armada, na influência dentro do sistema prisional, na penetração em atividades da economia formal e em práticas de corrupção, conforme aborda o documentário do Globoplay “Territórios – Sob o Domínio do Crime”.

"Escolhemos o nome 'Territórios' porque este é o ponto central: a grave dominação armada de espaços que, muito presente no Rio de Janeiro, espalha-se por todo o país. Isso subjuga milhões de pessoas, impondo regras sobre elas, como o consumo de produtos e serviços controlados pelos traficantes", explica Paulo Renato Soares, um dos repórteres do documentário.

Cidades como Rio Claro, no interior de São Paulo, que possui cerca de 200 mil habitantes, tornaram-se palco de disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. Sua localização estratégica, próxima a grandes rodovias, converteu a cidade em um ponto crucial para o tráfico. Na Bahia, o município de Juazeiro, distante 500 quilômetros de Salvador, reflete esse mesmo movimento preocupante. Lá, a taxa de homicídios atinge 76,2 por 100 mil habitantes, valor três vezes superior à média nacional. Na Amazônia Legal, que compreende nove estados, a presença do crime organizado já alcança 45% dos municípios, ampliando a teia de influência criminosa por vasta área do país.

Diante desse avanço, o Estado precisa considerar a atuação das facções não apenas sob a ótica da segurança pública, mas também na formulação de políticas de habitação, transporte e até no processo eleitoral, salienta Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro De Segurança Pública. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem dedicado uma força-tarefa para conter a influência do crime organizado nas eleições, buscando proteger a democracia de interferências ilegítimas.

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