ARTE E MEMÓRIA

Exposição 'Takará Igbá' chega à UFRN celebrando ancestralidade e criação

Foto da exposição 'Takará Igbá' apresentando elementos visuais e objetos.
A exposição 'Takará Igbá' investiga relações entre memória, ancestralidade e corpo.

Amostra de Judson Takará une Candomblé, corpo e criação em sua terceira etapa de circulação. Abertura ocorre em 8 de junho.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe a exposição 'Takará Igbá: Candomblé, Corpo e Criação', do artista visual, pesquisador e performer Judson Takará. A mostra, que inicia sua terceira etapa de circulação, abre ao público nesta quarta-feira, 03/06/2026, às 18h, na Galeria Laboratório do Departamento de Artes. A visitação gratuita segue até 19 de junho.

Resultado de um processo de pesquisa e criação desenvolvido entre 2023 e 2026, a exposição reúne fotografias, objetos, instalações e vestimentas. As obras investigam as conexões entre memória, ancestralidade, corpo e a produção artística, a partir da vivência do artista no Candomblé. O projeto circula por locais significativos na trajetória pessoal, artística e acadêmica de Judson Takará.

'Takará Igbá' desdobra a exposição anterior, 'Takará Obé' (2023), que focava em violência, dor e raiva. Agora, a cabaça, ou 'igbá' em iorubá, ganha protagonismo. Ela é um recipiente simbólico de memória, cuidado, transformação e futuro. Presente em tradições afro-diaspóricas, a igbá é metaforicamente um corpo que preserva saberes e possibilidades de reinvenção diante das marcas da colonialidade.

Baseado em suas experiências como homem negro, candomblecista, performer e criador visual, Judson Takará constrói obras que transcendem o autobiográfico. Ele dialoga com questões coletivas sobre ancestralidade negra, estratégias de sobrevivência e produção de conhecimento fora dos modelos eurocentrados. A arte, nesse contexto, torna-se prática de cura, aparição e elaboração de mundos possíveis.

A exposição integra artes visuais, cênicas e pesquisa acadêmica. Promove reflexões desenvolvidas pelo artista em seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRN (PPGArC/UFRN). As obras propõem uma experiência imersiva que atravessa matéria, imagem e espiritualidade, convidando a novas percepções sobre o corpo, o território e suas formas de existência.

Enraizada no terreiro como espaço de saber, 'Takará Igbá' entende pesquisa, criação e compartilhamento como práticas inseparáveis. A mostra celebra um processo vivo, construído em diálogo com os territórios que moldam o artista: o terreiro, o ateliê, a universidade e a comunidade. A arte atua como gesto de permanência, desvio e liberdade.

Sobre o artista

Judson Takará é artista visual autodidata, costureiro e pesquisador. Doutorando em Artes Cênicas pelo PPGArC/UFRN, investiga corpo, território, memória, cultura afro-brasileira e processos criativos. Candomblecista há doze anos, sua trajetória é profundamente marcada pelos saberes do terreiro e pelas vivências negras.

Dentre seus trabalhos, destacam-se as exposições individuais 'Takará Obé' (2023) e 'Takará Igbá' (2025), que posicionam o terreiro como um espaço político, estético e de saber. Participou das Mostras dos Brasis: Arte e Pensamento em 2023 (São Paulo) e 2024 (Rio de Janeiro), sendo o único artista potiguar selecionado para ambas.

A exposição 'Takará Igbá: Candomblé, Corpo e Criação' é uma realização do Ateliê Araká e Kaboca Produções, com apoio do Ilé Asè Jitaloyá, PPGArC/UFRN, Departamento de Artes da UFRN e Capes. A produção conta com a realização da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Lei Paulo Gustavo, Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário