DECISÃO DEVASTADORA
Explosão no Jaguaré: Defesa Civil decide demolir imóveis severamente atingidos
Defesa Civil anuncia demolição de parte das residências após avaliação técnica no Jaguaré, São Paulo, onde uma explosão ceifou uma vida e deixou dezenas de desabrigados. Famílias enfrentam o desafio da reconstrução após o desastre que chocou a comunidade.
A Defesa Civil de São Paulo anunciou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, a demolição de parte dos imóveis severamente danificados pela explosão ocorrida no Jaguaré, zona oeste da capital, na segunda-feira anterior. A decisão, baseada em avaliações da Polícia Técnico-Científica e das equipes de Defesa Civil, impacta profundamente os moradores que perderam suas casas ou viram seus lares condenados, exigindo reconstrução do zero e marcando um capítulo doloroso para a comunidade.
Segundo o tenente Maxwell Souza, a Polícia Técnico-Científica iniciou a perícia nos 46 imóveis interditados. Paralelamente, equipes da Defesa Civil realizam avaliações estruturais minuciosas nas edificações afetadas. “Há casas que terão que ser demolidas. Tem casas que terão que ser demolidas”, reforçou Souza, sublinhando a gravidade da situação em que a recuperação ou reconstrução total são as únicas alternativas.
As residências interditadas foram categorizadas conforme o nível de dano estrutural, orientando o futuro dos moradores:
- Verde: Imóveis liberados para retorno, com possibilidade de danos materiais (eletrodomésticos quebrados).
- Amarelo: Interdição parcial, sem comprometimento estrutural, mas com riscos pontuais (telhas ou forros soltos).
- Laranja: Danos estruturais relevantes, como paredes, colunas ou vigas comprometidas, mas sem condenação total.
- Vermelho: Imóveis completamente comprometidos, com necessidade de demolição.
Moradores alertaram sobre a iminência da explosão
Antes do vazamento fatal, moradores do Jaguaré já haviam alertado os profissionais da Sabesp sobre a existência de uma tubulação de gás na área da obra da empresa, um apelo que, segundo relatos, foi ignorado. “Eles estavam fazendo uma perfuração na frente da minha casa. Uma vizinha avisou a eles que ali tinha uma tubulação de gás que corria risco de explosão. E o rapaz, ignorando completamente uma mulher que mora aqui há quase 40 anos, falou que sabia fazer o trabalho dele”, contou a moradora Denise Faria.
Denise relatou que a Sabesp trabalhava na comunidade há dias, classificando o serviço como “péssimo”, com diversos buracos abertos e nenhuma notificação aos moradores sobre a natureza da obra. O cheiro de gás começou a ser sentido aproximadamente três horas após o início dos trabalhos, por volta das nove da manhã.
A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) foi acionada pela Sabesp às 15h15, e uma equipe resolveu o vazamento por volta das 15h37. No entanto, às 16h05, uma explosão devastadora ocorreu na Rua Dr. Benedito de Moraes Leme. Imagens de segurança chocam ao mostrar pedestres sendo atingidos por escombros e arremessados, enquanto um homem cai de uma casa em ruínas.
A tragédia resultou na morte de Alex Sandro Fernandes Nunes, de 45 anos, que dormia em uma das residências atingidas, conforme seu enteado, Luiz Gustavo. Além disso, três pessoas ficaram feridas. Até a manhã desta terça-feira, 12 de maio de 2026, 46 imóveis estavam interditados e cerca de 160 pessoas foram cadastradas para receber assistência do governo estadual.
Procurada pelo Metrópoles, a Sabesp assumiu que suas equipes atingiram a tubulação de gás encanado durante uma obra de remanejamento da rede de água, por volta das 15h15. A companhia afirmou que as causas do acidente estão sendo apuradas por todas as empresas e autoridades competentes.
Em uma medida emergencial após a explosão, às 20h59 da segunda-feira, a Sabesp e a Comgás anunciaram que disponibilizarão um valor de R$ 2 mil como ajuda de custo aos moradores prejudicados. Este valor inicial visa dar suporte enquanto as empresas realizam o levantamento completo dos prejuízos.
“Foi algo muito forte”
Os relatos dos moradores são de desespero. Guilherme Izquierdo, que reside a 200 metros do local, descreveu o momento: “O prédio vibrou bastante, foi algo muito forte”. Ele classificou o cenário pós-acidente como “desesperador”.
A explosão também impactou animais: ao menos 20 cachorros foram socorridos. Alana, tutora de um pit-bull e um gato, contou ao Metrópoles que seu cachorro ficou preso nos escombros e precisou ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros.
A investigação em curso
O secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, que esteve no local na noite de segunda-feira, 11 de maio de 2026, informou que a Polícia Civil apura o caso. “A investigação já está em curso. Neste momento, nossa maior preocupação é acolher as pessoas, cuidar de onde vão dormir, o que vão precisar e contar com a segurança do local”, afirmou Gonçalves, enfatizando o suporte às vítimas.
Entenda o caso
- Uma explosão de gás provocou um incêndio em diversas casas próximas à Rua Dr. Benedito de Moraes Leme, no Jaguaré.
- A tubulação de gás foi atingida durante obra de remanejamento da rede de água da Sabesp, levando à paralisação do serviço.
- A Comgás foi acionada, e ambas as empresas adotaram protocolos de segurança imediatamente.
- Um homem de 45 anos, Alex Sandro Fernandes Nunes, morreu, e outros três feridos foram encaminhados ao Pronto Socorro Regional de Osasco.
- O Corpo de Bombeiros encerrou as buscas por vítimas nos escombros por volta das 21h30 da segunda-feira, 11 de maio de 2026.
- Ao menos 46 imóveis foram interditados pela Defesa Civil, e cerca de 160 pessoas afetadas foram cadastradas para assistência.
- A área foi isolada e a energia desligada por medida de segurança.
- O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prestou solidariedade e assegurou que “todos terão seus prejuízos ressarcidos e suas residências devidamente recuperadas”. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também expressou solidariedade e confirmou o suporte da Prefeitura e da Defesa Civil.
- Sabesp e Comgás confirmaram um valor emergencial de R$ 2 mil para moradores afetados, enquanto levantam os prejuízos.
- A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) solicitará às concessionárias documentos e registros operacionais da obra.
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