CRIME CONTRA ANIMAIS
Ex-secretária de Bem-Estar Animal é presa por eutanásia irregular de animais via Pix
Paula Lopes, ex-gestora em Canoas (RS), é suspeita de realizar eutanásias sem necessidade clínica e desviar doações. Dois veterinários também foram presos.
A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS), Paula Lopes, foi detida nesta segunda-feira, 15/06/2026, em Porto Alegre, na segunda fase da Operação Carrasco. A ação investiga um suposto esquema de eutanásias irregulares de cães e gatos, associado à arrecadação de fundos por meio de campanhas em redes sociais. A decisão de prendê-la, motivada pela gravidade das acusações e pela necessidade de cessar as práticas, importa por expor a fragilidade da proteção animal e a exploração da boa-fé da população.
Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a ex-gestora teria utilizado sua imagem como defensora dos animais para angariar doações destinadas a tratamentos de animais resgatados. Contudo, a investigação aponta que parte desses animais, mesmo com alternativas terapêuticas viáveis, era submetida à eutanásia. Dois médicos-veterinários também tiveram a prisão preventiva decretada.
Os crimes investigados incluem maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato. A dignidade dos animais e a confiança dos doadores foram severamente abaladas pelas condutas investigadas. A comunidade que apoia o bem-estar animal sofre um duro golpe com a desconfiança gerada por tais ações.
A prisão ocorreu na sede do instituto mantido pela ex-secretária. Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos que podem conter evidências cruciais para a continuidade da apuração. Um cão debilitado, frequentemente usado em campanhas de arrecadação, foi recolhido pelos agentes.
A investigação aponta que o esquema teria persistido mesmo após a exoneração de Paula Lopes da Secretaria de Bem-Estar Animal de Canoas, em julho de 2025. A Polícia Civil estima que, durante oito meses de gestão da investigada, pelo menos 498 animais foram submetidos à eutanásia. Agora, os esforços concentram-se em determinar quantos desses procedimentos ocorreram sem justificativa clínica adequada.
A apuração detalha ainda que o instituto ligado à ex-secretária realizou 549 campanhas de arrecadação desde 2020, totalizando mais de R$ 672 mil em doações de aproximadamente 14,5 mil pessoas. A polícia busca identificar quantos desses animais levados à eutanásia poderiam ter sido salvos, caso as alternativas terapêuticas tivessem sido exploradas.
O caso levanta sérias questões sobre a fiscalização de entidades voltadas ao bem-estar animal e a responsabilidade de gestores públicos. A comunidade espera que a justiça seja feita e que medidas eficazes sejam implementadas para evitar que situações como essa se repitam, protegendo tanto os animais quanto os cidadãos.
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