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Ex-banqueiro financia filme de Bolsonaro com R$ 61 milhões

Ex-banqueiro financia filme de Bolsonaro com R$ 61 milhões

Valor supera captação da Lei Rouanet em 21 estados e DF; dinheiro foi para fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro entre fev. e mai. de 2025.

As revelações divulgadas nesta sábado, 16 de maio de 2026, detalham que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociaram e efetivaram o repasse de R$ 61 milhões para a produção do filme "Dark Horse", uma obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Este financiamento privado, parte de uma tratativa inicial de R$ 134 milhões, ocorreu com o envio de parcelas entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro. A quantia chama a atenção por ultrapassar o total captado pela Lei Rouanet em 21 estados e no Distrito Federal durante todo o ano de 2025, reacendendo um intenso debate público sobre as balizas e a transparência do financiamento cultural privado no Brasil.

A cifra surpreendente, obtida por reportagens do The Intercept Brasil e Metrópoles, levanta questionamentos sobre a equidade e o foco dos investimentos na cultura brasileira. Enquanto a Lei Rouanet, através do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), incentiva projetos culturais por meio de abatimentos fiscais, o financiamento de "Dark Horse" surge como um contraponto privado de vulto. Embora a lei não contemple filmes longa-metragens diretamente, focando em curtas, médias e preservação audiovisual, a comparação dos valores ressalta a disparidade de recursos que podem ser mobilizados por figuras de grande alcance político, gerando reflexão sobre quem e o que recebe apoio financeiro no cenário cultural.

O montante de US$ 10,6 milhões, equivalente a R$ 61 milhões na cotação da época, foi enviado entre fevereiro e maio de 2025, após tratativas que, segundo o The Intercept, envolviam um total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Dados levantados junto ao Salic Comparar, plataforma do Ministério da Cultura, indicam que esse valor é superior ao captado pela Lei Rouanet em todas as unidades da federação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de Espírito Santo e Santa Catarina, em 2025.

A proximidade da negociação e os pagamentos foram evidenciados por mensagens. Em 8 de setembro, Flávio Bolsonaro cobrou o dono do Banco Master: "Como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e preocupado com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme". O contato entre o senador e Vorcaro persistiu, com Flávio expressando, em 22 de outubro, que estariam "no limite" com o filme e buscando "outro caminho" caso o pagamento não se concretizasse. Vorcaro respondeu: "Deixa comigo irmão, vou ver agora".

Em sua defesa, o senador Flávio Bolsonaro declarou, por meio de nota, que agiu como "um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". Ele afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado e não existiam suspeitas públicas sobre o banqueiro. O senador alegou que o contato foi retomado devido ao atraso nas parcelas do patrocínio para a conclusão do filme.

"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", garantiu o senador. A revelação desses detalhes, porém, coloca em pauta a influência do capital privado em produções de cunho político e a necessidade de clareza sobre as fontes e os destinos de tais investimentos, especialmente quando os valores envolvidos superam significativamente o apoio público à cultura em grande parte do território nacional.

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