RETALIAÇÃO NO GOLFO
EUA retomam ataques ao Irã em resposta a ofensiva contra petroleiros em Hormuz
Comando Central dos EUA confirma série de ataques contra alvos iranianos; Irã nega responsabilidade e critica sanções americanas.
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma nova série de ataques contundentes contra alvos iranianos nesta terça-feira, 07/07/2026. A ação, informada pelo Comando Central dos EUA, foi declarada como resposta direta aos ataques iranianos contra três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Hormuz. A decisão de impor um "preço elevado" foi tomada diante do que as forças americanas classificaram como "agressão injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo".
Os três navios comerciais foram atingidos no estreito no mesmo dia em que o Irã declarou que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente Donald Trump mantiver suas ameaças de retomar a guerra. Um comunicado das forças americanas enfatizou que a "agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo".
O Qatar também atribuiu ao Irã a responsabilidade pelo ataque às embarcações. A chancelaria qatari informou ter convocado o vice-embaixador iraniano para entregar uma nota de protesto formal. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as acusações como "desconcertantes" e reafirmou o compromisso de Teerã com seus deveres, mas alertou sobre os riscos de navios comerciais usarem rotas não coordenadas com o regime.
Segundo uma autoridade ouvida sob anonimato pela Reuters, os ataques americanos desta terça-feira visaram sistemas de defesa aérea, sistemas de vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e locais de lançamento de drones iranianos. A mídia estatal iraniana reportou que seis projéteis atingiram a área do píer de Taheroui, em Sirik, no sul do Irã, e indicou que houve feridos, embora não tenha confirmado a origem dos ataques. A TV estatal noticiou que o presidente Masoud Pezeshkian está antecipando seu retorno ao país após uma viagem ao Iraque.
Estes ataques marcam os primeiros confrontos militares conhecidos entre os EUA e o Irã desde o final de junho, período de intensos ataques e contra-ataques. As tensões atuais ocorrem em um contexto delicado, coincidindo com as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, que faleceu no início do conflito na região.
Paralelamente às ações militares, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou, na mesma terça-feira, a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a suspensão temporária das sanções sobre a venda de petróleo iraniano. O Irã considera que essa medida viola o memorando de Islamabad sobre o fim da guerra e responsabiliza Washington pelas futuras consequências, declarando que o país adotará "quaisquer medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional".
Os Estados Unidos reimpuseram sanções ao petróleo iraniano nesta terça-feira, após um alerta de uma autoridade americana à Reuters de que os ataques iranianos a embarcações no Estreito de Hormuz eram "totalmente inaceitáveis" e resultariam em consequências. Anteriormente, a guerra estava suspensa em virtude de um acordo de paz provisório firmado no mês passado, com um período de 60 dias para negociações de um pacto permanente. Contudo, Donald Trump tem reiterado ameaças de retomar os bombardeios, afirmando na segunda-feira: "Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço". O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou que as negociações para um acordo definitivo "não terão início enquanto as ameaças continuarem", pedindo que as partes "honrem sua assinatura".
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