GEOPOLÍTICA E CONFLITO
EUA miram economia do Irã em ataques a Bushehr, avalia especialista
Estratégia militar dos Estados Unidos atinge 90 alvos estratégicos. Professora da Escola Superior de Guerra alerta para risco de desastre ambiental e nuclear.
As Forças dos Estados Unidos realizaram ofensivas contra diversas cidades costeiras iranianas na quinta-feira, 09/07/2026, atingindo cerca de 90 alvos na província de Bushehr. A operação, que incluiu zonas próximas a uma usina nuclear, intensificou o alerta internacional sobre as consequências humanitárias e os impactos estratégicos de uma escalada militar na região.
Mariana Kalil, professora de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), aponta que a investida ultrapassa o interesse nuclear. Segundo a docente, ao atingir pontes vitais para o comércio do Irã com a Rússia e com a China, Washington busca, na prática, estrangular a sustentabilidade econômica iraniana.
A análise da professora enfatiza que operações militares nas proximidades de instalações nucleares são altamente condenáveis, visto que possuem o potencial de causar desastres ambientais irreversíveis e danos severos à população civil. Kalil ressalta que, ao mimetizar condutas criticadas anteriormente em Moscou no contexto da guerra na Ucrânia, os Estados Unidos colocam em xeque sua própria autoridade moral no cenário global.
Em relação às perspectivas de paz, a especialista demonstra ceticismo sobre um cessar-fogo imediato. Para Kalil, a teoria das relações internacionais sugere que acordos de trégua costumam ser discutidos apenas quando as nações atingem um nível crítico de colapso, cenário que ainda não se concretizou. A complexidade do conflito é ampliada pela presença de Israel como variável externa e pela relevância geopolítica do Estreito de Ormuz, ponto estratégico que os Estados Unidos reconhecem como um vetor de desestabilização da economia mundial desde governos anteriores, como o de Bolsonaro.
Internamente, a administração de Donald Trump enfrenta desafios crescentes, com a queda na popularidade motivada pela inflação e pelo distanciamento entre o discurso de isolacionismo e a prática de engajamento militar. No entanto, a especialista descarta uma capitulação rápida do Irã. Diferente de outros casos, como a Venezuela, o regime iraniano conta com estruturas enraizadas, como a Guarda Revolucionária, o que sinaliza uma resistência prolongada a qualquer tentativa de pressão externa.
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