ESCALADA NO GOLFO

EUA intensificam ataques ao Irã pelo segundo dia e Trump ameaça 'inexistência' do país

Navio petroleiro danificado após ataque no estreito de Hormuz.
Um navio petroleiro foi atingido no estreito de Hormuz, elevando a tensão entre Estados Unidos e Irã.

Declaração de Donald Trump surge após novo ataque americano a instalações iranianas e a um petroleiro. Tensão aumenta em rota de energia crucial.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado, 27/06/2026, que o Irã "não existirá mais" caso os Estados Unidos decidam intensificar seus ataques. A afirmação ocorre após as Forças Armadas americanas comunicarem um novo ataque ao país persa, em resposta a um incidente envolvendo um petroleiro no estreito de Hormuz, supostamente atingido por um projétil iraniano.

A escalada representa a mais grave tensão entre os dois países desde a assinatura de um acordo de paz provisório há duas semanas. Ambos os lados se acusam mutuamente de violar os termos do acordo que visava encerrar um conflito de quatro meses. O incidente na importante rota de transporte de energia levanta preocupações globais.

No Irã, a emissora estatal IRIB noticiou a ocorrência de explosões em Sirik, no sul do país, sem oferecer detalhes adicionais. O Comando Central dos EUA, em comunicado, afirmou que os ataques foram uma "resposta direta à contínua agressão iraniana contra o transporte marítimo comercial", visando instalações iranianas de vigilância militar, comunicações, defesa aérea, armazenamento de drones e lançamento de minas.

O ataque ao petroleiro neste sábado seguiu um incidente similar contra um navio de carga na quinta-feira, 25/06/2026, que deu início à recente escalada. A ação iraniana busca reafirmar controle sobre a rota de energia, que começava a ser reaberta após meses de interrupção, afetando a oferta global de petróleo e os preços. A agência de segurança marítima do Reino Unido confirmou que o petroleiro atingido sofreu danos, mas que a tripulação está segura.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas, responsável pela proteção do transporte marítimo, elevou seu nível de ameaça à segurança em função dos recentes incidentes. Embora o Irã não tenha comentado especificamente os ataques a navios, a televisão estatal informou sobre disparos de "advertência" pela Guarda Revolucionária contra embarcações que tentavam usar canais não autorizados, indicando uma tentativa de controle sobre a travessia do estreito.

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou ter realizado ataques "defensivos" contra alvos militares americanos. Paralelamente, o Bahrein, que abriga uma base americana, reportou um ataque com drone atribuído ao Irã. O Irã também acusou os Estados Unidos de descumprirem o acordo provisório, especialmente no que tange a um cessar-fogo prometido no Líbano, palco de uma invasão israelense em março contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

Centenas de navios, incluindo petroleiros, estiveram bloqueados no golfo Pérsico desde o início do conflito. Com a reabertura parcial do estreito nas últimas duas semanas, os preços do petróleo caíram, aproximando-se dos níveis anteriores à guerra devido ao aumento da oferta. Washington defende uma rota marítima alternativa ao sul, pela costa de Omã, enquanto o Irã busca impor taxas e direcionar os navios para uma rota ao norte, sob seu controle.

O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, negociador principal de Donald Trump para o conflito, reiterou que os americanos honraram o acordo de cessar-fogo e atribuiu ao Irã a responsabilidade por qualquer retorno à violência. "Se eles discordam sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, podem ligar para nós. Mas violência será respondida com violência", declarou Vance à emissora X, em uma clara advertência.

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