TARIFAS AMERICAS AFETAM COMÉRCIO
EUA impõem tarifas ao Brasil, abrindo espaço para China nas exportações
País asiático fortalece posição como principal parceiro comercial brasileiro, enquanto EUA perdem participação.
O Brasil observou um declínio na sua participação comercial com os Estados Unidos, em meio à possibilidade de novas tarifas impostas pelo governo americano. Paralelamente, a China expandiu sua relevância como principal destino das exportações brasileiras. Especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que a tendência de fortalecimento da China como parceira comercial do Brasil deve se acentuar com as recentes medidas tarifárias. A perda de espaço dos Estados Unidos no comércio com o Brasil ocorre após a vigência de tarifas no segundo semestre do ano passado e a perspectiva de novas taxas. Na última semana, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a imposição de tarifas de 25% ao Brasil, baseando-se em conclusões de investigação comercial no âmbito da Seção 301. Adicionalmente, o USTR incluiu o Brasil em uma lista de países com recomendação de tarifas de 12,5%, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. Outros 59 países também foram listados, com taxas potenciais variando entre 10% e 12,5%.
Dados da balança comercial brasileira revelam que, nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações de bens do Brasil para os EUA apresentaram uma retração de 16,02% em comparação com o mesmo período de 2025. O valor exportado caiu de US$ 16,6 bilhões em 2025 para US$ 14,01 bilhões em 2026. A participação total dos EUA na balança comercial brasileira também diminuiu, passando de 12,21% (janeiro a maio de 2025) para 9,43% em 2026.
Em contrapartida, as exportações brasileiras para a China registraram um crescimento de 21,82% entre janeiro e maio de 2026, comparado a 2025. O volume exportado para o país asiático saltou de US$ 37,9 bilhões em 2025 para US$ 46,2 bilhões em 2026. A participação chinesa nas exportações totais do Brasil também aumentou, de 27,78% para 31,14%.
Jan Marcel Lacerda, especialista em Comércio Exterior e professor doutor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Tocantins (UFT), avalia que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos devem intensificar a tendência de queda no comércio bilateral Brasil-EUA e, consequentemente, aprofundar as relações com a China. "Vemos o minério, que uma das grandes questões é a das terras raras e as possibilidades que aquilo traz para a indústria bélica, para o desenvolvimento da China, para o desenvolvimento tecnológico. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo e os Estados Unidos está de olho nisso, como a China também já tem uma relação clara de exportação desses minérios", destacou Lacerda. O professor ressalta ainda a possibilidade de um interesse chinês crescente em investimentos no Brasil para a exploração de recursos naturais, fortalecendo ainda mais os laços comerciais.
Além do fortalecimento com a China, a balança comercial brasileira indica uma expansão geral do comércio bilateral. Nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações do Brasil para a Índia cresceram 70,22% em relação a 2025. O Brasil também tem diversificado seus mercados de importação; as compras de bens da Coreia do Sul, por exemplo, registraram uma alta de 138,68%. De janeiro a maio de 2026, o Brasil importou US$ 5,31 bilhões da Coreia do Sul, contra US$ 2,2 bilhões no mesmo período de 2025.
Welber Barral, sócio fundador da consultoria BMJ e ex-Secretário de Comércio Exterior, observa que Brasil e Mercosul têm focado na ampliação de mercados. Ele recorda que, após as tarifas impostas no ano anterior, o Brasil firmou acordos comerciais com a Indonésia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). "O que os Estados Unidos não veem é que essas barreiras acabam diminuindo a relevância relativa dos Estados Unidos em relação ao Brasil e obrigando as empresas brasileiras e o governo a procurar novos acordos e novos mercados", ponderou Barral.
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