ALERTA INTERNACIONAL

EUA classificam PCC e CV como terroristas; Brasil vê riscos, mas descarta invasão

Imagem ilustrativa sobre a classificação de grupos terroristas pelos EUA.
EUA vão classificar PCC e CV como grupos terroristas

Classificação como organizações terroristas abre leque de sanções contra grupos e indivíduos com vínculos. Especialistas analisam cenário e comparam com Venezuela.

{"blocks":[{"key":"b697s","type":"paragraph","data":{"text":"O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, que classificará as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida, que se assemelha em alguns pontos ao discurso utilizado antes da intervenção na Venezuela, levanta preocupações sobre o impacto na dignidade e nas relações internacionais do Brasil, embora especialistas apontem diferenças cruciais que tornam uma invasão militar improvável."},{"key":"2mrl8","type":"paragraph","data":{"text":"As facções serão designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs), categorias que também se aplicam a grupos como Al-Qaeda e o Estado Islámico. Essa classificação amplia as possibilidades de atuação dos EUA contra pessoas e empresas brasileiras suspeitas de ligação com as facções, podendo levar a sanções e bloqueio de ativos.”"}},{"key":"d510c","type":"paragraph","data":{"text":"Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, destaca uma diferença fundamental em relação à Venezuela: enquanto o governo americano não reconhecia Nicolás Maduro como presidente e o acusava criminalmente, não há acusações diretas dos EUA contra o presidente Lula. "Ao classificar PCC e CV como terroristas, o governo dos EUA pode utilizar uma série de ferramentas contra indivíduos, empresas ou organizações brasileiras que mantenham negócios e vínculos com esses grupos. Instrumentos como sanções, bloqueio de ativos nos Estados Unidos etc.", explica Santoro. Pessoas ligadas às facões que viajem aos EUA podem ser presas."}},{"key":"7c072","type":"paragraph","data":{"text":"Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais, vê semelhanças no discurso de "narcoterrorismo", mas avalia que o objetivo dos EUA no Brasil seria mais de pressão externa e disputa interna do que derrubar o governo. Ele aponta que a classificação pode levar a sanções financeiras, investigações sobre bancos e fintechs, pressão sobre portos e empresas de logística, restrições migratórias e exigências de cooperação policial, mas considera uma intervenção militar "muito improvável"."}},{"key":"3a4fb","type":"paragraph","data":{"text":"Santoro não descarta totalmente o risco de ações como abater aviões ou afundar navios suspeitos, como ocorreu na Venezuela. No entanto, ressalta que qualquer ação militar dos EUA em solo brasileiro sem autorização federal seria considerada uma agressão internacional e um ato de guerra. A última vez que uma intervenção norte-americana foi cogitada contra o Brasil remonta às tensões que precederam o golpe de Estado de 31 de março de 1964."}},{"key":"4e6c1","type":"paragraph","data":{"text":"A legislação brasileira define terrorismo por atos violentos com motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito, com o objetivo de provocar terror social. O Brasil diferencia essas ações de crimes comuns, pois facções como PCC e CV têm como foco o lucro. Já nos EUA, a classificação de uma organização como terrorista envolve ser estrangeira, estar envolvida em atividade terrorista ou ter capacidade para tal, e representar uma ameaça à segurança dos EUA, seguindo critérios legais definidos em lei e decididos pelo secretário de Estado, com consulta ao Congresso."}}]}

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