ALIANÇA ESTRATÉGICA
EUA aceleram busca por minerais críticos no Brasil
Governo Trump pressiona por acordo antes de 2027; Lula resiste a propostas.
Os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, intensificam sua busca por um acordo estratégico com o Brasil sobre minerais críticos, antes que o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva termine em 2027. Essa movimentação, revelada por diplomatas brasileiros nesta segunda-feira, 04/05/2026, reflete a preocupação americana de que o Brasil possa firmar outras alianças estratégicas ou políticas sobre seus recursos minerais antes desse período, potencialmente inviabilizando um pacto mais abrangente e alinhado aos interesses de Washington. A questão é central para a segurança econômica e tecnológica global, e sua definição impacta diretamente a soberania brasileira sobre vastos recursos naturais, além de redefinir as relações bilaterais e o papel do Brasil no tabuleiro geopolítico global.
A Casa Branca teme que o governo brasileiro avance em negociações com outras nações antes do fim do atual mandato, o que dificultaria ou até mesmo impediria um acordo mais robusto a partir de 2027, especialmente se houver uma mudança de governo no Brasil. A urgência da pauta mineral fica evidente no momento em que o Congresso Nacional inicia a discussão sobre a regulamentação do setor, com o relator do projeto, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), planejando apresentar seu parecer ainda nesta semana.
Diplomatas ressaltam que os minerais críticos representam hoje o principal ponto de interesse de Washington na relação com o Brasil. Este tema crucial também figurará na agenda da reunião bilateral entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, agendada para os dias 14 e 15 de maio, o que sublinha a dimensão global da disputa por esses recursos.
Apesar do interesse americano, o governo Lula tem demonstrado resistência a um acordo amplo com os Estados Unidos nesta área estratégica. Essa postura se manifesta pela não adesão a iniciativas propostas pelos americanos, por críticas a acordos regionais — como o firmado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado — e por posicionamentos contrários à venda de ativos estratégicos brasileiros para empresas estrangeiras.
Tais movimentos se somam a tensões recentes que já desgastam as relações entre os dois países. Entre os pontos de atrito estão a divergência na Organização Mundial do Comércio sobre a moratória de taxação do comércio eletrônico e um episódio envolvendo a expulsão de um delegado da Polícia Federal, acusado de atuar irregularmente em solo americano.
Pelo lado dos Estados Unidos, o avanço de investigações baseadas na Seção 301, que apura práticas comerciais consideradas desleais, aumenta o risco de reimposição de tarifas sobre produtos brasileiros, adicionando uma camada de complexidade às negociações.
*Com informações de CNN
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