DESASTRES NO BRASIL

Estudo revela que 95,1% dos municípios brasileiros foram afetados por desastres ambientais entre 2013 e 2025

Equipes de resgate em meio a escombros e lama em Brumadinho.
Busca por desaparecidos em Brumadinho após rompimento de barragem

Levantamento da CNM aponta mais de 3 mil mortes e perdas financeiras bilionárias em 13 anos. Sistema de registro é criticado.

Um estudo abrangente divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela um impacto alarmante dos desastres ambientais no Brasil entre 2013 e 2025: 95,1% dos municípios brasileiros sofreram ao menos um evento adverso nesse período. A pesquisa, que compila dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e de registros oficiais de defesas civis, também aponta para a perda de mais de 3 mil vidas no país. O levantamento, intitulado "Novo panorama dos desastres no Brasil: 2013 a 2025", tem como objetivo evidenciar as consequências reais desses eventos e fomentar a criação de políticas públicas mais eficazes para prevenção, preparação e recuperação das áreas atingidas. Ao longo dos 13 anos analisados, 5.297 municípios registraram 74.745 decretos de Situação de Emergência (SE) ou Estado de Calamidade Pública (ECP). As chuvas e a seca foram os principais gatilhos para a decretação de emergências, respondendo por cerca de 70% do total: 30 mil decretos foram motivados por seca e 22,8 mil por excesso de chuvas. Enquanto a região Nordeste concentra a maioria dos registros de seca, a região Sul é a mais afetada por chuvas intensas. Doenças infecciosas também figuram no panorama, com 16 mil decretos emitidos no período, um pico significativo durante a pandemia da Covid-19, que gerou mais de 13 mil decretos. Em termos de perdas humanas, os desastres afetaram mais de 493,8 milhões de pessoas, resultando em 6,4 milhões de desabrigados e 3.221 mortes. O ano de 2022 foi o mais trágico, com 607 óbitos registrados. A região Sudeste liderou o número de mortes (48,1%), marcada por tragédias como os rompimentos das barragens em Mariana (2015) e Brumadinho (2019), além das fortes chuvas em Petrópolis (2022) e no Vale do Aço (2025). A região Sul responde por 23,8% das mortes, com destaque para as inundações históricas no Rio Grande do Sul em 2024, que vitimaram 185 pessoas. As perdas financeiras são igualmente expressivas, totalizando R$ 785,4 bilhões em prejuízos entre 2013 e 2025. Os setores da Agricultura (R$ 356,6 bilhões) e da Pecuária (R$ 107,5 bilhões) foram severamente impactados. A seca e a estiagem causaram R$ 458,3 bilhões em danos, enquanto o excesso de chuvas gerou R$ 222,9 bilhões. A CNM ressalta que esses valores podem ser ainda maiores, pois apenas 47% dos municípios com decretos registraram os danos econômicos no S2iD. A análise crítica da CNM aponta para a fragilidade na consolidação de dados oficiais sobre desastres, devido a um S2iD considerado ultrapassado, instável e limitado. Funcionalidades essenciais para prevenção e planejamento, como os módulos de ações de prevenção e do Plano de Contingência (Plancon), estão desabilitadas, dificultando a gestão de riscos e desastres. A situação é agravada pela baixa execução orçamentária da União, com apenas 32,2% dos valores autorizados efetivamente pagos. A entidade enfatiza a urgência da modernização do S2iD pelo Governo Federal e reforça que a resiliência climática e a redução de riscos dependem da estruturação efetiva das defesas civis municipais. Em resposta às críticas, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que o Governo Federal adota uma estratégia para enfrentar eventos climáticos extremos, com o lançamento do Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, a implementação do sistema Defesa Civil Alerta e o Protocolo Nacional para a Proteção Integral a Crianças e Adolescentes. A Defesa Civil Nacional investe em qualificação profissional, projetos de apoio e transferência de recursos e equipamentos, enquanto o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) oferece suporte contínuo aos entes federativos por meio de monitoramento e reuniões. *Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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