SAÚDE DA MULHER

Estudo aponta que Alzheimer pode iniciar aos 45 anos em mulheres

Gráfico sobre desenvolvimento de Alzheimer em mulheres
Alzheimer em mulheres: danos cerebrais podem começar bem antes da velhice. Foto: Reprodução/TV Globo

Pesquisas indicam que duas em cada três pessoas com a doença são mulheres, com processos degenerativos começando silenciosamente décadas antes da velhice.

Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres, um dado que reforça a urgência de investigações científicas específicas sobre a saúde cognitiva feminina. A decisão de ampliar o foco dos estudos, consolidada em 13/07/2026, parte da premissa de que a doença não deve ser associada apenas ao envelhecimento, mas sim a um processo que pode começar a se desenvolver por volta dos 45 anos de idade. A importância dessa descoberta reside na possibilidade de intervenção precoce e mudanças de hábitos para preservar a dignidade e a autonomia das mulheres a longo prazo.

A neurocientista Lisa Mosconi, que lidera um estudo de três anos nos Estados Unidos, observou em sua própria história familiar a disparidade de gênero na prevalência do Alzheimer. Segundo a pesquisadora, a queda dos níveis de estrogênio durante a perimenopausa e a menopausa retira uma proteção essencial para o cérebro, afetando o fluxo sanguíneo e a saúde dos neurônios.

O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço destaca que o diagnóstico precoce já é uma realidade possível, com exames de sangue capazes de detectar marcadores da doença, tecnologias que possuem potencial de chegar ao Brasil em breve. Entretanto, o especialista enfatiza que o esquecimento ocasional não deve ser confundido com um quadro neurodegenerativo. O sinal de alerta é a perda de memória que progride e interfere diretamente nas atividades cotidianas, como observado por Maria Edileuza da Silva, que lida com o impacto da doença na rotina familiar.

Para a prevenção e mitigação de riscos, a ciência recomenda a adoção de um estilo de vida equilibrado. Práticas como atividades físicas regulares, controle do estresse, sono de qualidade e dieta saudável são fundamentais. O exemplo de Maria do Socorro Leal, que aos 90 anos mantém sua mente ativa através da arte, ilustra que o cuidado contínuo é uma ferramenta poderosa para a qualidade de vida. As pesquisas de Lisa Mosconi buscam agora estratégias de prevenção específicas, oferecendo um horizonte de esperança para as futuras gerações.

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