ROMBO HISTÓRICO

Estatais federais registram prejuízo recorde de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e abril

Gráfico mostrando a evolução do déficit financeiro das estatais federais.
Relatório do Banco Central aponta pior desempenho trimestral em mais de duas décadas.

Perda nas empresas públicas federais supera todo o ano anterior e expõe fragilidades financeiras.

As estatais federais registraram um prejuízo expressivo de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e abril deste ano, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central (BC). Este resultado, que representa 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB), marca o pior desempenho para um primeiro quadrimestre na série histórica iniciada em 2002, superando o prejuízo de R$ 2,73 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.

É importante notar que este indicador do BC não abrange empresas como Petrobras, Eletrobras e os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Os números para os primeiros quatro meses de 2026 são comparáveis ao prejuízo total acumulado ao longo de todo o ano de 2025, evidenciando a gravidade da situação.

O mês de janeiro concentrou o pior resultado financeiro para as empresas públicas federais neste ano, com abril apresentando o segundo pior desempenho, segundo o BC. A conjuntura se agrava ao observar o caso dos Correios, uma das principais estatais do país, que registrou um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Este prejuízo foi três vezes maior que o apurado em 2024.

Este representa o quarto ano consecutivo de resultados negativos para os Correios, contrastando fortemente com o lucro recorde de R$ 3,7 bilhões obtido em 2021. Atualmente, a estatal passa por um processo de reestruturação, após identificar um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e um prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além de uma acentuada queda na qualidade e liquidez.

O plano de recuperação está sendo implementado em fases. A primeira etapa foca na reorganização do fluxo financeiro, regularização de pendências com fornecedores e empregados terceirizados, e na restauração da previsibilidade financeira. Como parte crucial desta fase, os Correios obtiveram R$ 12 bilhões em crédito junto a um consórcio de bancos, garantindo liquidez imediata para normalizar suas operações, quitar débitos atrasados e reconquistar a credibilidade junto a todos os seus públicos.

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