PROTEÇÃO E CIDADANIA

Escolas enfrentam desafios no combate à violência digital contra meninas

Fachada do Colégio Cruzeiro no Rio de Janeiro
O combate ao assédio digital no ambiente escolar exige resposta pedagógica e jurídica.

O Colégio Cruzeiro acionou a Polícia Civil após a criação de uma lista de cunho sexual com nomes de estudantes. Especialistas debatem o papel educativo frente a atos infracionais.

O Colégio Cruzeiro, localizado no Rio de Janeiro, acionou a Polícia Civil para investigar a criação de uma lista de cunho sexual contendo nomes de estudantes, todas adolescentes, publicada em uma plataforma online. A decisão institucional, que visa conter a exposição, o constrangimento e a humilhação das alunas, foi adotada nesta sábado, 11/07/2026, com o objetivo de proteger a dignidade das jovens e garantir que o ambiente escolar permaneça seguro.

O caso, que gerou ampla repercussão, encontra-se sob investigação na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). A instituição de ensino confirmou que, assim que tomou conhecimento do conteúdo, registrou boletim de ocorrência e solicitou a remoção imediata do material da internet, além de oferecer apoio integral às vítimas e suas famílias.

O papel da escola na formação

Para Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a escola deve atuar para transformar conflitos em oportunidades de aprendizado social. “Uma situação como essa tem muitas camadas que devem ser trabalhadas com prevenção sistematizada e contínua”, afirma.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Denise Carreira, enfatiza que, além da dimensão pedagógica, cabe à unidade educacional notificar órgãos de proteção, conforme estabelecido no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “O papel prioritário da escola é pedagógico, mas a legislação prevê a identificação de atos infracionais e o acolhimento das vítimas”, explica.

Intervenção e escuta cuidadosa

Especialistas reforçam que a intervenção precisa priorizar a vítima, oferecendo uma escuta que não se transforme em interrogatório. Esse processo é essencial para evitar a revitimização e auxiliar na reparação dos danos. Em relação aos autores, recomenda-se que a abordagem foque na restauração, promovendo a compreensão sobre a gravidade da violência cometida.

Educação, gênero e prevenção

A discussão sobre masculinidades tóxicas e assimetrias de gênero é apontada como pilar para prevenir novas violências. Segundo Denise Carreira, que integrou o Grupo de Trabalho Técnico da Política Nacional de Educação para a Igualdade de Gênero, Diversidade Sexual e Educação Integral em Sexualidade, ignorar esses temas compromete vidas de meninas, mulheres e da população LGBTQIA+.

O Colégio Cruzeiro, em nota, reafirmou que a ética e a responsabilidade digital fazem parte de suas diretrizes curriculares, contando com campanhas constantes de conscientização para seus alunos. A investigação segue em curso pelas autoridades competentes.

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