DIAGNÓSTICO PRECOCE REVOLUCIONA
Esclerose Múltipla: Novas regras diagnosticam doença antes de sintomas
Revisão dos Critérios de McDonald amplia precisão e permite identificar a esclerose múltipla antes do surgimento de sinais, melhorando o prognóstico.
{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A esclerose múltipla, condição neurológica mais comum em adultos jovens, que afeta 2,9 milhões de pessoas no mundo e cerca de 40 mil no Brasil, ganha novos contornos em seu diagnóstico. Desde a campanha do Dia Mundial da Esclerose Múltipla, em 30 de maio de 2024, o alerta se volta para a importância de um diagnóstico precoce e preciso, fundamental para o sucesso do tratamento. A recente atualização, anunciada em 2024 e oficializada em 2025, visa antecipar a identificação da doença, protegendo os pacientes do desenvolvimento de sequelas."},{"type":"paragraph","data":{"text":"Com o título \"My MS Diagnosis: navigating MS together\" (\"Meu Diagnóstico de Esclerose Múltipla: navegando juntos pela EM\"), a nova abordagem alinha-se às diretrizes mais recentes. As mudanças incorporam novos marcadores e buscam aumentar a exatidão dos exames, como explica o neurologista Herval Ribeiro Soares Neto, do Einstein Hospital Israelita. O objetivo principal é antecipar o diagnóstico para prevenir o aparecimento de sintomas e, consequentemente, de sequelas."},{"type":"paragraph","data":{"text":"A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina, essencial para a transmissão de impulsos nervosos nos neurônios. Esse processo inflamatório gera lesões em áreas cruciais como o nervo óptico, a medula e o cerebelo, manifestando-se por sintomas como perda visual, vertigem, desequilíbrio, alterações na sensibilidade e na mobilidade. Em aproximadamente 80% dos casos, a doença surge em surtos que podem regredir espontaneamente, mas nem sempre com recuperação total das funções afetadas, dependendo da capacidade de remielinização."},{"type":"paragraph","data":{"text":"O diagnóstico tradicionalmente combina exame clínico, histórico do paciente e exames complementares como ressonância magnética de crânio e coluna, além da análise do líquor. Estes exames identificam lesões típicas e marcadores específicos no líquido cefalorraquidiano. A análise se aprofunda no número e localização das lesões, na presença de proteínas como as bandas oligoclonais e em características particulares das lesões."},{"type":"paragraph","data":{"text":"A tecnologia tem sido uma aliada poderosa, com ressonâncias magnéticas avançadas capazes de detalhar lesões e exames precisos para a detecção de marcadores no líquor. No Einstein, um laudo estruturado de ressonância magnética foi desenvolvido para avaliar a hipótese de esclerose múltipla de forma sistematizada. \"A qualidade desses exames faz a diferença para um diagnóstico mais correto e precoce\", afirma Soares Neto, ressaltando a importância da punção lombar para a coleta do líquor."},{"type":"paragraph","data":{"text":"Uma novidade significativa na revisão dos critérios diagnósticos é o reconhecimento do nervo óptico como uma nova região típica para o surgimento de lesões, somando-se às já conhecidas: periventricular, justacortical/cortical, infratentorial e medula espinhal."},{"type":"paragraph","data":{"text":"Outra mudança crucial é a capacidade de diagnosticar indivíduos que apresentam lesões em exames de imagem e preenchem os critérios para esclerose múltipla, mesmo sem manifestação de sintomas. Anteriormente, esses casos eram classificados como síndrome radiológica isolada. \"Isso é importante porque podemos começar a tratar a doença antes que ela se manifeste, melhorando o prognóstico\", explica a neurologista Ana Cláudia Piccolo, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)."},{"type":"paragraph","data":{"text":"Apesar dos avanços, mais de 80% dos países ainda lidam com barreiras no diagnóstico precoce, segundo o Atlas da Esclerose Múltipla. A falta de conscientização sobre os sintomas, a escassez de profissionais especializados e a limitada disponibilidade de equipamentos são os principais obstáculos. Muitas vezes, pacientes com sintomas difusos como fadiga ou visão embaçada buscam outros especialistas antes de chegar ao neurologista."},{"type":"paragraph","data":{"text":"O tratamento da esclerose múltipla é altamente individualizado, considerando as particularidades de cada paciente, como o estágio da doença, presença de comorbidades e estilo de vida. Medicamentos modernos, mais específicos e com menos efeitos adversos, têm aumentado a eficácia do tratamento, reduzindo a incidência de novos surtos e lesões. \"Conseguem agir de forma bem focada no sistema imunológico, com mais eficácia e mantendo a segurança\", destaca Herval Soares Neto."},{"type":"paragraph","data":{"text":"Atualmente, há mais de dez opções terapêuticas, incluindo imunomoduladores e imunossupressores, aplicados por via endovenosa ou oral, com mais de 90% de chance de evitar novas lesões inflamatórias. Em abril de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o ublituximabe (Briumvi), um anticorpo monoclonal que atua como mais uma alternativa terapêutica."},{"type":"paragraph","data":{"text":"\"Mas com tratamento de alta eficácia, é possível silenciar a doença por décadas. Não existe um protocolo único, o tratamento é individualizado\", conclui o neurologista."}]}
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