ARTICULAÇÃO E ESTRATÉGIA

Equipe de Lula aposta na neutralidade do Centrão e busca atrair eleitores

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro posam para foto
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

Coordenadores da campanha de Lula buscam ampliar apoio ao identificar fraqueza na candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto disputas internas no PL fragilizam a oposição.

A equipe estratégica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira, 13/07/2026, consolidou a avaliação de que partidos fundamentais do chamado Centrão — Progressista, União e Republicanos — devem adotar a neutralidade no pleito presidencial. A decisão, tomada após rodadas de conversas entre coordenadores da campanha e lideranças dessas legendas, visa isolar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), evitando um apoio orgânico ao senador.

O movimento importa por sinalizar uma mudança de curso na estratégia do Palácio do Planalto. Em vez de insistir na polarização, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que o momento exige acenos ao eleitorado de centro e aos cidadãos independentes. A avaliação interna é que a manutenção da radicalização perdeu o potencial de ganho eleitoral e que o desgaste na campanha de Flávio Bolsonaro, agravado por conflitos na família Bolsonaro, oferece uma janela de oportunidade para ampliar a base de apoio.

No campo do PSD, que mantém a candidatura de Ronaldo Caiado, o cenário é de maior complexidade, com a garantia de apoios locais em estados como Bahia. Enquanto isso, o clima no PL permanece instável. A divulgação de uma carta por Jair Bolsonaro, orientando a união de forças, não estancou a crise com Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama, após alegar ser alvo de desrespeito por parte de Flávio Bolsonaro, renunciou à presidência do PL Mulher, expondo a fragilidade do partido a menos de três meses das eleições.

O cenário é monitorado de perto pelo PT, que avalia inclusive medidas judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro, sob a alegação de descumprimento de medidas cautelares referentes à sua prisão domiciliar, em vigor desde 24 de março de 2026. A situação jurídica de Bolsonaro, cuja domiciliar foi prorrogada por Alexandre de Moraes em 3 de julho de 2026, mantém o monitoramento sobre a comunicação do ex-presidente, que segue proibido de utilizar redes sociais.

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