FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Endividamento das famílias brasileiras recua para 49,8% em março, aponta Banco Central

Gráfico mostrando a evolução do endividamento das famílias brasileiras.
O endividamento das famílias brasileiras teve uma leve queda em março.

Índice de endividamento caiu 0,1 ponto percentual, atingindo 49,8% em março. Juros do rotativo do cartão de crédito, no entanto, subiram em abril.

O endividamento das famílias brasileiras apresentou uma leve queda em março deste ano, saindo de um patamar recorde e alcançando 49,8%. A decisão, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, representa um recuo de 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior. Este indicador é relevante pois reflete a capacidade financeira das famílias e o impacto direto na qualidade de vida e no planejamento futuro dos cidadãos.

Os dados do relatório "Estatísticas monetárias e de crédito" do Banco Central revelam também uma redução na parcela de famílias com a renda comprometida. O índice recuou 0,3 p.p. no mês, totalizando 29,3%, embora tenha avançado 1,3 p.p. em 12 meses. Essa métrica é crucial para entender a pressão que as dívidas exercem sobre o orçamento familiar e a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Por outro lado, a inadimplência referente à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) registrou um aumento. Em março, o índice ficou em 4,4%, representando uma alta de 0,1 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em 12 meses. Essa elevação se deu pela estabilidade nas empresas e um avanço de 0,1 p.p. em pessoas físicas, cujos índices atingiram 5,4%.

No crédito com recursos livres, onde taxas são negociadas diretamente entre bancos e clientes, a inadimplência também apresentou alta, subindo 0,1 p.p. para 5,8%. Essa situação impacta a confiança dos consumidores e pode levar a um endurecimento das condições de crédito para a população.

Em abril, o crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,1 trilhões, o equivalente a 162,7% do PIB. Esse volume foi impulsionado, principalmente, por um aumento de 2,3% nos títulos públicos. O recuo no endividamento das famílias acontece em um cenário que antecede as negociações do programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0.

A modalidade "Famílias" do Desenrola 2.0 já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas, com R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas, de acordo com dados parciais divulgados pelo Ministério da Fazenda na última quinta-feira, 28 de maio. Essas iniciativas buscam aliviar o peso das dívidas e promover a recuperação da capacidade de consumo das famílias.

No que diz respeito aos juros, a taxa média cobrada pelos bancos nas operações de cartão de crédito rotativo registrou um aumento de 1,5 ponto percentual em abril deste ano, o que pode pressionar ainda mais o orçamento de quem utiliza essa modalidade.

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