DIPLOMACIA E INVESTIMENTOS

Empresários brasileiros exploram potencial agrícola em Angola

Comitiva de empresários brasileiros reunida em Luanda para discutir investimentos no setor agrícola.
Empresários brasileiros em agenda de negócios na cidade de Luanda, Angola.

Missão empresarial busca transformar a proximidade entre Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em projetos produtivos de longo prazo no país africano.

Uma comitiva de 30 empresários brasileiros desembarcou em Luanda para avaliar oportunidades de investimento no setor agrícola de Angola. A iniciativa visa fortalecer a cooperação comercial entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço, transformando a diplomacia em geração de emprego e produção local. O potencial produtivo é vasto: Angola dispõe de cerca de 35 milhões de hectares para a agricultura, mas apenas 6 milhões estão atualmente em uso, com uma parcela ínfima de irrigação. A semelhança entre regiões angolanas e o Cerrado brasileiro — em termos de clima, solo e disponibilidade hídrica — coloca o Brasil em uma posição privilegiada para exportar não apenas produtos, mas tecnologias e sistemas de manejo. Atualmente, a balança comercial ainda é limitada, com o Brasil exportando US$ 347 milhões em produtos do agronegócio para o mercado angolano em 2024. No entanto, a estratégia defendida por lideranças empresariais, como João Doria Junior, do Lide, é superar o papel de mero fornecedor de commodities. O objetivo é instalar unidades produtivas locais, especialmente nos setores de avicultura e grãos, visando reduzir a dependência de importações externas do país africano. Para especialistas como Kátia Abreu, a expansão depende de um desafio estrutural: a segurança jurídica. Como em Angola as terras pertencem ao Estado e a operação ocorre via concessão, investidores buscam garantias de longo prazo contra eventuais expropriações. O sucesso dessa fronteira africana exigirá, portanto, uma evolução tanto na proteção aos investimentos privados quanto na cultura internacional das empresas brasileiras, que historicamente priorizaram a exportação direta em detrimento da fixação produtiva no exterior.

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