PESQUISA ELEITORAL 2026

Eleições 2026: CEO da Nexus detalha cenários entre Lula e Flávio Bolsonaro após nova pesquisa

Marcelo Torkarski, CEO da Nexus, em entrevista.
Marcelo Torkarski, CEO da Nexus, concedeu entrevista sobre os resultados da pesquisa.

Levantamento do Instituto Nexus para o BTG aponta avanço do presidente Lula em simulação de segundo turno e crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro. CEO da Nexus analisa os desdobramentos.

O cenário para as eleições presidenciais de 2026 ganhou novos contornos após a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Nexus, encomendada pelo BTG. Nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, Marcelo Torkarski, CEO da Nexus, detalhou em entrevista ao Hora H os resultados que apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, que ouviu 2.017 eleitores em todo o país entre os dias 12 e 14 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, oferece um panorama sobre a polarização e o eleitorado ainda em definição.

A pesquisa, registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e realizada com recursos do Banco BTG Pactual, também apresentou as intenções de voto para outros pré-candidatos. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) surgem com 4% cada, dentro da margem de erro. Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) registram 2% cada, enquanto Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) somam 1% cada. Os eleitores que declararam voto branco ou nulo representam 5%, e 3% não souberam ou não responderam.

Um dos pontos de maior destaque é a simulação de segundo turno, onde o presidente Lula aparece pela primeira vez fora da margem de erro à frente do senador Flávio Bolsonaro. Se em abril ambos estavam numericamente próximos (46% a 45%), e em maio a distância cresceu para quatro pontos (Lula com 47% e Flávio com 43%), a pesquisa de junho revela Lula com 49% e Flávio com 43%, uma diferença de seis pontos percentuais. Torkarski, no entanto, ressalta que os números atuais ainda não indicam uma vitória de Lula no primeiro turno, pois "se a gente fosse calcular voto válido, que é o que interessa para uma definição de primeiro turno, Lula estaria na casa de 46%. Distante ainda, uma coisa que ele nunca conseguiu fazer", ponderou.

A tendência, segundo o CEO da Nexus, aponta para um segundo turno entre os dois pré-candidatos, considerando que os demais concorrentes não demonstram força para ultrapassar a barreira dos dois dígitos nas pesquisas.

Na análise da rejeição, o levantamento de junho registrou um crescimento significativo para Flávio Bolsonaro. Em abril, 48% dos entrevistados afirmavam que não votariam nele de jeito nenhum; este índice subiu para 52% em junho. Torkarski atribui parte dessa elevação ao episódio dos áudios envolvendo Flávio e o empresário Vorcaro, que teria impactado o eleitor não polarizado. "O desafio de Flávio é não deixar essa rejeição crescer e baixar de 50", destacou. A rejeição a Lula, por outro lado, manteve-se estável, passando de 48% em abril para 47% em junho. Paralelamente, o percentual de entrevistados que declaram votariam exclusivamente nele aumentou de 34% para 38%.

No quesito aprovação de governo, o atual mandatário registrou uma melhora expressiva. Pela primeira vez desde o início da série histórica, iniciada em março, a aprovação de Lula superou numericamente a desaprovação. "Há uma melhora lenta, gradual, que começou a se acelerar depois que o governo abriu a caixa de ferramentas", analisou Torkarski.

O eleitor não polarizado, que representa 21% do eleitorado segundo a pesquisa, tem demonstrado um comportamento mais alinhado ao do presidente Lula. Nas rodadas anteriores, ambos os pré-candidatos apareciam empatados nesse grupo, mas agora a diferença saltou para seis pontos a favor de Lula. Torkarski descreve esse perfil de eleitor como mais escolarizado, residente em centros urbanos e sensível a questões de soberania nacional.

Sobre a denominada 'terceira via', Torkarski foi categórico ao afirmar que os pré-candidatos fora da polarização enfrentam dificuldades em atrair eleitores que buscam uma alternativa real. "O eleitor olha para o cardápio, não vê um prato ali que ele quer e acaba comendo a comida de sempre", exemplificou. Embora 24% dos entrevistados prefiram um candidato diferente de Lula ou Flávio Bolsonaro, apenas metade desse grupo está, de fato, votando em um nome da terceira via no primeiro turno.

A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre medidas recentes dos Estados Unidos. Em relação à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, 37% dos entrevistados acreditam que a medida ameaça a segurança nacional, temendo uma possível interferência americana. Outros 30% veem a medida como um avanço na segurança, e 23% consideram que não haverá interferência direta. Quanto às tarifas comerciais impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, 42% atribuem mais culpa a Flávio Bolsonaro, enquanto 39% responsabilizam mais Lula. Para 11%, a culpa não é de nenhum deles, e 8% não souberam responder. Torkarski interpretou esses números como reflexo da polarização: "O eleitor do Flávio está com o Flávio. Ele acha que o Flávio agiu correto e o Lula é o culpado. O eleitor do Lula acha o contrário". A diferença, segundo o analista, reside no eleitor não polarizado, que se aproximou mais da narrativa do governo neste ciclo.

Marcelo Torkarski reconhece que o cenário eleitoral começou a se movimentar após um período de estabilidade nas pesquisas. Ele citou a recuperação de Lula após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo, impulsionada por uma agenda com o presidente americano Donald Trump e o lançamento de programas populares. "O momento hoje da eleição é um pouco mais favorável a ele", avaliou. Contudo, Torkarski ressalta que Flávio Bolsonaro, apesar de ter enfrentado momentos delicados, mantém-se como o principal adversário. "Ele continua como o grande adversário de Lula", afirmou. Para ele, a eleição tende a ser disputada, com um desfecho apertado e ainda aberto a diversos desdobramentos como debates e maior exposição dos candidatos. "Eu acho que a eleição tende a ser uma eleição apertada", concluiu.

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