CLIMA EXTREMO AFETA GRANGAIS
El Niño impacta culturas tropicais: NOAA confirma padrão climático com risco de 'super El Niño' em 2027
O fenômeno, que provoca secas e chuvas intensas, pode intensificar-se até 2027, impactando preços de cacau, café e açúcar. Agricultores já lidam com custos elevados e instabilidade.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou oficialmente nesta quarta-feira, 17/06/2026, a formação do El Niño. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Oriental devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e pode durar de nove a 12 meses. A previsão atual indica uma probabilidade de 63% de que o padrão climático se intensifique, com risco de um "super El Niño" em direção a 2027, exacerbando os impactos já sentidos por produtores rurais.
O El Niño altera os padrões climáticos globais, trazendo consigo temperaturas mais elevadas e eventos extremos. Regiões como o Sul e Sudeste Asiático, Austrália e Sul da África enfrentam secas severas, enquanto o Sul da América do Sul e partes dos Estados Unidos podem experimentar chuvas intensas. Essa variabilidade climática representa um duro golpe para os agricultores, que já lidam com o aumento dos custos de fertilizantes e diesel, em parte influenciados pela Guerra no Oriente Médio, e com a volatilidade dos preços das commodities.
Cacau: Ciclos de chuva e seca e preços recordes
A produção de cacau tem sido particularmente vulnerável aos efeitos do El Niño. Em episódios passados, fortes chuvas seguidas de calor intenso e ventos secos, como os Harmattan, afetaram a Costa do Marfim e Gana, principais produtores mundiais. Essa alternância climática pode levar ao desenvolvimento de doenças fúngicas nas plantações e à perda de flores, comprometendo a safra. O Equador, terceiro maior produtor, também sofre com excesso de chuvas durante o fenômeno. Como resultado, os preços do cacau quase triplicaram em 2024, atingindo níveis recordes e superando o valor de muitos metais industriais, refletindo a escassez global.
Café: Vulnerabilidade do Robusta e impactos no Arábica
O café robusta (conilon) enfrenta desafios significativos com o El Niño, pois o fenômeno tende a elevar as temperaturas e reduzir as chuvas no Vietnã e na Indonésia, responsáveis por cerca de metade da produção mundial. A seca nessas nações durante a fase crítica de desenvolvimento da cultura pode diminuir drasticamente a produtividade, com impactos sentidos a partir do quarto trimestre, durante a colheita. Para o café arábica, cultivado em grande parte no Brasil, o impacto é mais sutil. Embora temperaturas mais altas possam, em um primeiro momento, proteger as lavouras atuais de geadas, a seca e o calor previstos para o quarto trimestre de 2027 podem prejudicar o desenvolvimento da próxima safra brasileira.
Açúcar: Chuvas no Brasil e seca na Índia moldam o mercado
O mercado de açúcar, outra importante soft commodity, é influenciado pelas diferentes reações regionais ao El Niño. No Brasil, o maior produtor e exportador mundial, o fenômeno geralmente traz excesso de chuva na segunda metade do ano, o que pode afetar a qualidade e a quantidade da colheita. Em contrapartida, na Índia e na Tailândia, a expectativa é de redução nas chuvas durante as monções de verão. A Índia, em particular, projeta para 2026 o menor índice de chuvas em 11 anos, com precipitações estimadas em 90% da média durante o crucial período de desenvolvimento da safra. Mesmo um El Niño moderado pode reduzir a produção indiana em cerca de 1 milhão de toneladas métricas. Embora o excesso de chuva no Brasil possa beneficiar a safra de 2027, a instabilidade climática geral dificulta um cenário de alta sustentada para o açúcar.
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