AVANÇO NA CARDIOLOGIA
Edição genética controla colesterol ruim com dose única em estudo clínico
Pesquisa publicada no New England Journal of Medicine demonstra eficácia de terapia com CRISPR em manter níveis de LDL controlados por um ano.
Cientistas alcançaram um marco no tratamento de doenças cardiovasculares ao controlar o colesterol alto com uma única aplicação de edição genética. A descoberta, apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicada no New England Journal of Medicine, aponta que é possível inibir a produção de colesterol ruim (LDL) por até um ano com uma intervenção terapêutica que altera o DNA de forma precisa.
O estudo, que acompanhou 15 pacientes, utiliza a tecnologia CRISPR como uma "tesoura molecular" para desativar o gene ANGPTL3 no fígado. Esse gene é responsável por produzir uma enzima que impede a eliminação eficiente de gorduras, como o LDL e os triglicerídeos, da corrente sanguínea. Ao silenciar esse gene, o organismo passa a metabolizar o colesterol de maneira mais eficaz, reduzindo drasticamente os níveis circulantes.
Impacto na vida dos pacientes
Atualmente, o controle do colesterol depende do uso contínuo de estatinas. A necessidade de adesão rigorosa ao tratamento ao longo da vida é um desafio, visto que o abandono da medicação eleva o risco de infarto e AVC, principais causas de morte no Brasil, onde 40% da população sofre com taxas elevadas da substância.
A geneticista Lygia da Veiga Pereira destaca que a terapia representa uma mudança de paradigma: "Estamos vendo a terapia genética abrir novas fronteiras, com possibilidades em doenças comuns a boa parte da população". Para especialistas como o cardiologista Elzo Mattar, a dose única é a "terapia dos sonhos", pois elimina a barreira do esquecimento ou da falha na adesão medicamentosa.
Segurança e próximos passos
Embora os resultados preliminares indiquem uma redução de 50% nos índices de LDL e triglicerídeos, os especialistas pedem cautela. O cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori reforça que, apesar do potencial, o tratamento ainda está em fase inicial de segurança. Além disso, o custo elevado e o tempo necessário para aprovação pelos órgãos reguladores colocam a tecnologia como uma promessa de médio a longo prazo, ainda distante de chegar à rotina clínica da população geral.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário