ALERTA FISCAL

Economista alerta que dívida bruta do Brasil se aproxima do patamar da pandemia

Economista Arnaldo Lima em entrevista.
Economista Arnaldo Lima, da Polo Capital, critica trajetória da dívida brasileira.

Arnaldo Lima, da Polo Capital, aponta que trajetória da dívida é preocupante e compara Brasil com países emergentes. Ele defende reformas estruturais e revisão de gastos obrigatórios.

A Dívida Bruta do Governo Geral, que abrange o governo federal, o INSS e as esferas estadual e municipal, atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10,6 trilhões. Para o economista Arnaldo Lima, da Polo Capital, o ponto crucial não reside no montante absoluto da dívida, mas em sua trajetória ascendente. Ele fez essas declarações nesta domingo, 05/07/2026.

Lima ressaltou que, ao ser calculada segundo o critério do FMI, que engloba compromissadas e outros fatores, a dívida brasileira já alcança 94,3% do PIB, com projeção de chegar a 96% até o fim do ano. Embora a dívida tenha crescido em diversas nações, o Brasil se destaca negativamente na comparação internacional. Enquanto a média dos países emergentes viu sua dívida avançar de 64% para 77% do PIB, o Brasil caminha para patamares consideravelmente superiores. Este cenário, segundo o economista, gera um problema de credibilidade que se reflete na elevada taxa de juros dos títulos públicos, prejudicando a economia como um todo. "O que explica justamente a diferença entre o Brasil e os outros países não é o resultado primário em si, mas sua taxa de juros real", explicou.

Crescimento econômico não basta para estabilizar a dívida

Questionado sobre o argumento de que o crescimento econômico auxiliaria na redução da relação dívida/PIB, Lima reconheceu que o crescimento é um componente relevante, porém insuficiente. Ele apontou para um desacordo entre as políticas monetária e fiscal, agravado por uma constância de aproximadamente uma década de descumprimento de metas, tanto no resultado primário quanto na inflação. Para o economista, é imperativo transitar de um modelo de ajuste fiscal, focado em despesas discricionárias, para uma reforma fiscal genuína, com atenção à trajetória de crescimento das despesas obrigatórias. Lima enfatizou que os programas sociais representam 70% de toda a despesa orçamentária e necessitam de aprimoramento contínuo. Ele citou a necessidade de rever a regra de valorização do salário mínimo, que avança bem acima da inflação, e de desvincular o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo. "Toda vez que a gente reduzir o crescimento da despesa obrigatória, deveria se abrir um pouco de espaço também para os ministérios sociais aprimorarem as suas políticas", disse.

Legado fiscal e desafios para 2027

Sobre o cenário para o próximo ciclo político, Arnaldo Lima alertou que medidas estruturais devem ser aprovadas no início de um mandato para assegurar uma trajetória de juros reais mais saudável. "A gente tem que fortalecer o pacto intergeracional. Toda vez que a gente aumenta a dívida e tem uma inflação de longo prazo para o futuro, a gente está comprometendo o futuro das nossas crianças, dos nossos filhos e netos", afirmou. O economista também destacou que o Brasil enfrenta o desafio de envelhecer mais rapidamente do que consegue se enriquecer, tornando ainda mais urgente o crescimento da produtividade e o aumento da taxa de investimento — atualmente em 16%, quando o necessário seria atingir 25%.

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